O Resgate do Soldado Ryan (Saving Private Ryan, EUA, 1998)
Gênero: Aventura 
Duração: 170 min 
Estúdio: DreamWorks/Paramount
Elenco: Tom Hanks, Tom Sizemore, Edward Burns, Barry Pepper, Adam Goldberg, Vin Diesel, Giovanni Ribisi, Jeremy Davies
Compositor: John Williams
Roteiristas: Robert Rodat, Frank Darabont 
Diretor:Steven Spielberg

Se tivesse terminado após a seqüência inicial, que mostra com riqueza de detalhes a realidade de uma guerra, O RESGATE DO SOLDADO RYAN poderia ser considerado o mais importante e arrasador filme de guerra já feito. Daqueles que a gente deve mostrar a jovens e adolescentes violentos, acostumados a assistir filmes fascistas como RAMBO II ou passar horas na frente de um computador "matando" gente com uma metralhadora.

Infelizmente o filme tem que continuar e, pior, está longe de terminar... Spielberg mais uma vez derruba com sua mão pesada um enredo que até poderia ser interessante. Mas ao invés de investir no novo - mantendo o nível caótico e chocante da seqüência que abre o filme - prefere apelar para os velhos clichês de filme de guerra. Somos então apresentados ao oficial "bonzinho" e sensível (Tom Hanks, quem mais?), ao soldado JUDEU (assim mesmo, com letras garrafais), ao recruta medroso (que fatalmente vai aprender lições de moral até o final do filme), o médico simpático e amigo (que deverá ser morto para justificar o ódio contra os Alemães), e por aí vai.

Tudo mostrado de forma lenta e pretensiosa, com altas doses do infame patriotismo norte-americano. É de causar nojo a cena onde o general lê discurso de Abraham Lincoln para justificar o resgate que dá nome ao filme - pura sandice dos realizadores. E mais uma vez os alemães são mostrados de forma caricatural e tendenciosa. Tudo bem, Hitler podia ser um monstro, mas será que todos que faziam parte do seu exército eram assim? É obvio que a maioria era formada por garotos que mal sabiam pelo que estavam lutando, fato que Spielberg prefere ignorar para poder manipular as emoções da platéia à vontade e, assim, fugir de qualquer discussão mais séria ou madura.

Mas o pior mesmo é o final do filme, com a ridícula indagação "Será que fui um bom homem?" que o idoso profere no cemitério. Era de se esperar que, depois de tudo pelo que passou, tal personagem (que não podemos revelar quem é para não estragar a "surpresa") tivesse tornado-se um ativista pela paz, membro do Greenpeace ou qualquer coisa que valha. Mas então Spielberg corta para a sua família - todos loiros, "sarados", usando roupas de grife (parece um comercial da Benetton), portando máquinas fotográficas de última geração... Sim, ele foi "um bom homem", pois ajudou a perpetuar o "american way of life". Corta para a bandeira americana tremulando em widescreen. A mensagem subliminar é óbvia e torpe demais: "A guerra é ruim mas é necessária pois faz de nossos meninos, heróis".

Vale lembrar que, durante a entrega do Oscar daquele ano, O RESGATE DO SOLDADO RYAN, foi apresentado por 
ninguém menos que o general Collin Powell, aquele mesmo que esteve à frente das tropas dos EUA na guerra do Golfo, onde milhares de civis inocentes foram mortos para que os ditadores árabes pudesse reaver seus poços de petróleo e que hoje é Secretário de Defesa do governo de extrema-direita de George W. Bush. Precisa dizer mais?

Depois de um filme ultrajante como esse a gente fica com saudades do Spielberg do passado, que fazia excelentes fitas infantis para crianças e adultos de mente aberta. Muito diferente do atual, que continua fazendo filmes infantis, só que para adultos idiotizados e alienados, como ele.

Cotação: **


André Lux

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