TODO MUNDO EM PÂNICO 4 (Scary Movie 4, EUA, 2006)
Gênero: Comédia
Duração: 83 min.
Elenco: Anna Faris, Regina Hall, Charlie Sheen, Craig Bierko, Rorelee Tio, Chris Williams, Debra Wilson, Carmen Electra, Leslie Nielsen, Shaquille O'Neal, Bill Pullman, Michael Madsen
Compositor: James L. Venable
Roteiristas: Craig Mazin, Jim Abrahams
Diretor: David Zucker

Altas baixarias

Novo filme da franquia besteirol recupera em parte as "qualidades" dos dois primeiros filmes, e agradará a quem gosta de sátiras de filmes recheadas com piadas escatológicas

Uma das piores coisas em se assistir a uma comédia ruim é que você fica com a impressão de que está de mau humor. Mas aí é que está: uma comédia realmente boa é capaz de tirar o mau humor do pior dos ranzinzas. Por mais que eu goste do trabalho do trio ZAZ (Zucker-Abrahams-Zucker) nos anos 80, não aprovei a entrada de David Zucker na série TODO MUNDO EM PÂNICO na terceira edição da franquia (2003). Uma das maiores qualidades (ou defeitos, se preferir) dos dois primeiros filmes era a ênfase na escatologia e nas piadas de mau gosto. Isso se perdeu um pouco no terceiro filme, mas é recuperado em TODO MUNDO EM PÂNICO 4 (2006). Ainda que a direção continue sendo de David Zucker, não faltam nesse novo filme cenas de flatulências, melecas no nariz e babas escorrendo.

Os "homenageados" da vez são A VILA, GUERRA DOS MUNDOS, O GRITO e JOGOS MORTAIS. Mas há também brincadeiras em cima de MENINA DE OURO e O SEGREDO DE BROKEBACK MOUNTAIN. Aliás, uma das melhores piadas do filme é a dos dois sujeitos de cor dentro da barraca. O filme também não perde a chance de curtir com a cara de Tom Cruise, fazendo uma sátira da histórica participação dele no programa da Oprah Winfrey. "Michael Jackson", como fez sucesso no terceiro filme, reaparece nesse quarto.

Anna Faris continua sendo a musa da franquia. Não dá para perder uma pessoa como ela, que não tem medo de parecer ridícula nem de ficar estigmatizada no papel de loura burra. A gostosíssima Carmen Electra reaparece satirizando a cega de A VILA. E, como não poderia deixar de ser, ela não precisou ficar o tempo todo com aquelas roupas do século XVI. Dois atores fundamentais para a historia da comédia besteirol dos anos 80 aparecem em participações especiais: Charlie Sheen, que surge num dos melhores momentos do filme - na piada do Viagra -, e o grande Leslie Nielsen no papel do Presidente dos EUA que, enquanto o mundo está sendo atacado por alienígenas, faz questão de terminar de ouvir a historinha do pato numa escola para crianças. A última seqüência de gags com Nielsen também é boa. Lembra os bons tempos da série CORRA QUE A POLÍCIA VEM AÍ. Pode-se dizer que eles conseguiram melhorar nesse quarto filme. Só não dá para esperar uma grande comédia.

Cotação:
Ailton Monteiro
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