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BATMAN
Seriados e Séries de TV

Entre os anos 1930 e 1950, vários personagens de histórias em quadrinhos como Capitão América, Fantasma, Flash Gordon, Mandrake, Superman e o Capitão Marvel, foram adaptados para seriados de ação que passaram nos cinemas. O primeiro seriado do morcegão surgiu em 1943 com o titulo de Batman: O Homem Morcego, estrelado por Lewis Wilson (Batman) e Douglas Croft (Robin). O vilão central era um agente japonês, Daka, que se infiltrou nos Estados Unidos com o objetivo de criar um exército para dominar o país. Este seriado teve quinze capítulos, foi dirigido por Lambert Hillyer e foi produzido pela Columbia Pictures. Daka era um vilão ridículo, que alimentava seus crocodilos com frangos, mas isso caia bem para o publico da época já que os EUA estavam em guerra contra o Japão, depois que o ataque a Pearl Harbor os colocou na Segunda Guerra Mundial. Daka tinha uma máquina capaz de transformar pessoas em zumbis, que ele controlava por um microfone, e assim ia criando seu exército. Alfred (Willian Austin) era basicamente um personagem cômico, sem muita função na trama. Muita coisa ridícula foi mostrada, começando pelos uniformes da dupla dinâmica, que parecem terem sido feito às pressas. Numa ocasião, vários cigarros caíram do cinto de utilidades. O Batmóvel era o mesmo carro de Bruce Wayne, e ninguém em Gotham City notou isso. Esta é com certeza uma das séries mais trash produzidas, e o maior vexame de Batman - nem Joel Schumacher aprontou tanto em seus filmes.

Mesmo com o vexame, outra seriado foi produzido. Em 1949 estréia A Volta do Homem Morcego, que teve quinze capítulos e foi dirigido por Spencer Bennet. Batman foi interpretado por Robert Lowery, Robin por John Duncan e das HQs veio para o elenco a repórter Vicki Vale (Jane Adams) e o comissário Gordon (Lyle Talbot). O roteiro dos episódios continuou tão fraco como no seriado anterior. Um dos principais vilões era o Mago, com uma vestimenta similar à da Ku-klux klan e um raio da morte que tinha o poder de uma bomba atômica. Isso reflete também o panorama da época, já que em 1949 a União Soviética testou sua primeira bomba atômica. As cenas de luta eram ruins, assim como os efeitos especiais. Foi mais um vexame.

Estes seriados, como tantos outros, acabaram sendo exibidos na televisão. Em 1966 estreou na rede ABC a primeira série sobre o personagem especialmente produzida pata a televisão: Batman, estrelada por Adam West (Bruce Wayne/Batman) e Burt Ward (Dick Grayson/Robin). A antológica música de abertura foi composta por Neal Hefti, e as trilhas dos episódios pelo jazzista Nelson Riddle. O tema recebeu várias versões, sendo a mais vendida a executada pelo grupo The Ventures. Foi uma série cômica , que fez muito sucesso mas também atraiu a ira de muitos fãs. Devido ao sucesso, ela acabou tendo muitos convidados especiais de peso como Sammy Davis Jr. e Jerry Lewis. Os perigos eram absurdos, assim como suas resoluções. Um atrativo à parte eram os vilões, interpretados por ótimos atores: Coringa (Cesar Romero), Charada (Frank Gorshin), Mulher Gato (Julie Newmar/Eartha Kitt) e Cabeça de Ovo (Vincent Price), entre outros. Eartha Kitt, a primeira Mulher Gato negra da história, assumiu o papel na terceira temporada. Nas duas temporadas em que a vilã foi Julie Newmar ela foi o interesse romântico do morcego, mas devido à sua natureza criminosa o romance não fluiu. O Senhor Frio também foi interpretado por três atores de peso: George Sanders, Eli Wallach e o famoso diretor de cinema Otto Preminger. O Rei Tut (Victor Buono) era um vilão obcecado pelo Egito, e quase foi interpretado por Charlton Heston. O vilão Traça foi interpretado pelo grande  Roddy Mcdowell (Planeta dos Macacos). O comissário Gordon (Neil Hamilton) e o chefe O'Hara (Stafford Hep) chamavam o Batman, quando havia algum perigo, pelo Bat-fone. Foi aqui que os "Bat-trecos" atingiram seu auge: Batmóvel, Bat-lancha, Bat-cóptero, Bat-cicleta, Batarangue e o Bat-sinal (usado apenas no segundo seriado no cinema). O mordomo Alfred (Alan Napier) chegou até a se disfarçar de Batman, e mesmo com o bigode ninguém notou a diferença. Tia Harriet (Madge Blake) era a tia de Dick Graison, e foi introduzida na serie por causa da suspeita de que a dupla era gay (isso era uma bobagem já que nos anos 40 e 50 ocorreu a febre das duplas de heróis, e quase todo herói teve um ajudante adolescente - mesmo assim, a suspeita continua até hoje!). Por essa lógica, então todos os heróis que formaram duplas com adolescentes seriam gays. Cada vilão tinha sua gangue, com uma moça bonita que se arrependia e ajudava os heróis. William Dozier produzia para a Fox Batman e também O Besouro Verde. Durante a segunda temporada de Batman houve um crossover das duas séries, num episódio em que a dupla dinâmica une-se ao Besouro Verde (Van Williams) e seu ajudante Kato (o lendário Bruce Lee) para combater o crime. Entre o primeiro e segundo ano da série foi produzido para o cinema o filme Batman, o Homem Morcego, que com um orçamento razoável mostrou os heróis enfrentando de uma só vez os vilões Pingüim, Coringa, Charada e Mulher Gato (interpretada por Lee Meriwether, já que na época Julie Newmar estava filmando o western O Ouro de McKenna), que se uniram para eliminar a dupla dinâmica e assim poder destruir a ONU. Algo muito trash nesse filme foi a memorável cena de Batman sendo içado do mar, com um tubarão mordendo sua bota, por Robin pilotando o Bat-cóptero (a cena marcou o surgimento do Bat-repelente de tubarão). Bruce Wayne é assediado por uma linda mulher russa, Srta. Kittka, que é na verdade a Mulher Gato. A dublagem brasileira deste filme, lançado em DVD no Brasil, cometeu absurdos como transformar Alfred em Alfredo e a Batcaverna na "Caverna do Morcego". Em 1968, enquanto a série live action ainda era produzida, uma série animada estreou na NBC, mas durou pouco tempo. Durante a terceira temporada Ivone Craig aparece interpretando a Batgirl, uma clara tentativa de aumentar a audiência que já estava em declínio. Ela também era o novo interesse romântico de Batman, já que não era um bom exemplo para a gurizada ele estar interessado na Mulher Gato. Se cogitou de a Batgirl ter sua própria serie de TV, mas a idéia não foi adiante. A série foi cancelada na terceira temporada com 120 episódios exibidos. Adam West e Burt Ward,emprestaram suas vozes para o desenho As Novas Aventuras de Batman e Robin de 1977, e no mesmo ano eles retornaram no telefilme Legends of Super-Heroes (inédito no Brasil).

Durante a produção de Batman Returns (1992), surgiu a idéia de criar uma nova série em desenho, que ficou a cargo de Paul Dini e Bruce Timm. A série Batman: The Animated Series revolucionou as animações de aventura na TV, e estabeleceu um novo padrão de qualidade e respeito aos personagens. Ela foi exibida entre 1992 e 1998 e deu origem a outras produções baseadas em personagens da DC Comics: Superman Animated (1997), Batman Beyond (1999), Justice League of America (2001) e Teen Titans (2003). A série mostrava uma Gotham City típica dos anos 1930, tomada  pelo crime até o surgimento do cavaleiro mascarado. Apareceram os vilões Pingüim, Coringa (dublado por Mark Hamill, o Luke Skywalker de Star Wars), Crocodilo, Charada, Espantalho, Duas-Caras, Bane (este foi mal adaptado), Mulher Gato, Cara de Barro, Hera Venenosa, Ra's Al Gul, entre outros. Na primeira temporada Batman atua sozinho, mas na segunda é introduzido Robin, que acaba se apaixonando por Barbara Gordon, a futura Batmoça que inclusive salva a dupla num episódio. Num dos episódios também descobrimos como foi criado o Batmóvel (a versão desse desenho). Harvey Dent aparece no início como aliado de Batman e amigo de Wayne, mas depois torna-se o vilão Duas-Caras num episodio duplo. Foi criada para a série a vilã Arlequina, uma assistente do Coringa que é apaixonada pelo vilão e é tão louca quanto ele. Anos depois esta personagem foi introduzida nas HQs do morcego, durante a saga “Terra de Ninguém”. Num dos melhores episódios, Arlequina e Hera Venenosa unem-se para cometer crimes, e tentam destruir o morcego. Em 1994, a série dá origem à animação de longa metragem Batman: A Máscara do Fantasma, que retrata a origem do Batman e do Coringa. Tudo de bom que existe no morcego foi colocado neste filme: um romance que desaba,o morcego enfrentando mafiosos e o seu passado, o Coringa, ótimas cenas de ação, revelações incríveis, o clima sombrio etc.. Para muitos, esta animação e o filme Batman Begins são as melhores adaptações do Homem Morcego. Durante a produção do infame Batman e Robin (1997), estava sendo preparado Batman: Abaixo de Zero, mas esta animação só ficou pronta no ano seguinte e foi muito superior ao lixo criado por Joel Schumacher. Nela, o Sr. Frio seqüestra Barbara Gordon para usá-la num experimento, com o intuito de salvar sua esposa. A trama e as cenas de ação são ótimas, numa delas Batman e Robin enfrentam até ursos treinados. Num dos episódios da série animada Batman e Superman se unem-se para combater a aliança de Lex Luthor  e Coringa. A experiência deu tão certo que acabou originando Superman Animated, criada pela mesma equipe. Na ultima temporada Dick Graison torna-se o Asa Noturna, devido a desavenças com Wayne, e a Mulher Gato tenta se aproveitar disso. Tim Drake, o terceiro Robin nas HQs, torna-se o segundo no desenho. Foi nesta última temporada que a Batmoça apareceu  com mais freqüência. Também nessa temporada foi homenageada a HQ "Batman: O Cavaleiro das Trevas", onde algumas crianças descrevem como imaginam ser o Homem Morcego.

Em 2001 surgiu o desenho da Liga da Justiça, sendo que Batman integra a equipe juntamente com Superman, Ajax, Lanterna Verde, Mulher Gavião, Mulher Maravilha e Flash. Ao longo da série, ele foi tendo um relacionamento com a Mulher Maravilha. No ano de 1999, o produtor Bruce Timm decidiu usar o conceito de Frank Miller, e leva o herói para o futuro. Surge o desenho Batman do Futuro, onde Bruce Wayne está aposentado, e o jovem Terry Mcginnis, ao investigar a morte do pai, que trabalhava nas empresas Wayne, torna-se o novo Batman. Mas Terry é um Batman bem diferente de Wayne, pois tem uma família (mãe e irmão), uma namorada, amigos e já cometeu alguns crimes. O vilão principal da série,é o executivo Powers, que está no controle das empresas Wayne. Entre os vilões também estão os Jokers (uma gangue adolescente inspirada no Coringa), Curare (uma assassina profissional), a Gangue das Cartas, Golem e Ra's Al Gul, entre outros. Diversas tramas são centradas em crimes que ocorrem na escola onde Terry estuda, e uma de suas amigas acaba descobrindo sua dupla identidade, tornando-se uma aliada do novo Batman. Este Batman possui um uniforme high-tech, que lhe permite voar, e um Batmóvel que também voa. Barbara Gordon nesta época trabalha na polícia, e no início não gostou do surgimento de um novo Batman, mas em pouco tempo passou a auxiliá-lo. Num dos melhores episódios duplos, o novo Batman entra para a Liga da Justiça, a pedido de nada menos que do Superman. Foi produzido o longa animado Batman do Futuro: O Retorno do Coringa, onde Terry investiga o possível retorno do Coringa após décadas de sumiço.

Durante a elaboração do longa Batman Begins (2005), a Warner decidiu criar uma nova animação baseada no morcego, surgindo The Batman (2004). Esta série segue os mesmos passos do filme, mostrando os primeiros anos de Wayne no combate ao crime. Embora não tenha surgido um Robin, nesta série Batman já tem como sua auxiliar a Batmoça (Barbara Gordon), mesmo a contragosto do morcego. Ele enfrenta vilões como Coringa, Charada, Hera Venenosa, Bane (novamente mal adaptado), Pingüim, Cara de Barro e Mulher Gato. Esta série é produzida pela mesma equipe do desenho Jackie Chan, então houve algumas descaracterizações, como o fato do Coringa se mover como um mestre de artes marciais maluco. O Pingüim é outro que sofre desse mal no desenho. A aliança de Batman com Gordon e Montoya é bem trabalhada, embora não chegue aos pés do tratamento visto no desenho de 1992. Baseado nesta série foi produzido o longa animado Batman x Conde Drácula. Esta série é apenas mediana, e não chega aos pés da obra-prima de 1992. Mesmo assim, como se pode ver, existem inúmeras produções televisivas para os fãs do Cavaleiro das Trevas curtirem e se divertirem.

Guilherme da Costa Radin

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