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A tripulação da Galactica, na série original

A tripulação da nova Galactica, cilônios incluídos

Os novos Centuriões

Número 6 e Gaius Baltar, um show à parte

Em 1978, nos Estados Unidos, foi exibido na rede de televisão ABC o piloto da série Battlestar Galactica. O orçamento do filme ultrapassou US$ 3 milhões, uma quantia extraordinária para a sua época. Colaboraram para encarecer seu orçamento os grandes cenários, o figurino criativo e, principalmente, os efeitos especiais criados por John Dykstra, que criou os revolucionários efeitos do Star Wars original (por esse motivo os caças vipers coloniais são tão parecidos com os x-wings rebeldes). Na trama, o império alienígena Cilônio está em negociações de paz com as doze colônias humanas, por intermédio do conselheiro humano Baltar. Mas tudo é, na verdade, uma armadilha, e as colônias são destruídas num ataque devastador dos cilônios, que tiveram como seu aliado Baltar, que traiu os humanos para obter o controle do planeta Caprica. Mas os aliens também destroem Caprica, e os sobreviventes das colônias fogem numa frota de naves civis liderada pela Galactica, a única Astronave de Combate restante. O objetivo da Galactica e das naves civis, por ela protegidas, passa a ser fugir dos cilônios e chegar na Terra, que segundo a lenda, seria a 13ª colônia criada pelos Senhores de Kobol.

O estrondoso sucesso do piloto levou à produção de mais alguns episódios especiais e, por fim, do restante da temporada. Os personagens principais eram o Comandante da Galactica, Adama (Lorne Greene), seu filho Capitão Apollo (Richard Hatch), o tenente Starbuck (Dirk Benedict), o subcomandante Coronel Tigh (Terry Carter), a esposa de Apollo, Serina (Jane Seymour), o tenente Boomer (Herbert Jefferson Jr.) e a piloto Sheeba (Anne Lockhart). Na série não havia muita informação sobre a origem dos cilônios, criaturas semelhantes externamente a robôs; mas o pouco informado era que eles seriam uma raça reptiliana que acabou substituindo suas formas orgânicas por corpos mecânicos. Especulava-se que eles utilizariam cérebros orgânicos. No Brasil, o piloto de Galactica chegou somente em 1979 nos cinemas. Depois, a série passou a ser exibida na rede Globo, a partir de 1981. O fraco spin-off Galactica: 1980 mostrava o neto de Adama, Troi, e seu amigo Dillon, entrando em confusão na Terra atual dos anos 80, utilizando motos voadoras. Essa continuação mais infantil, que do elenco original trazia apenas Lorne Greene e Herbert Jefferson Jr., teve apenas treze episódios e é desprezada pelos fãs, tendo inclusive sido “esquecida” pelo próprio estúdio Universal. Em 2001, o piloto de Galactica - Astronave de Combate, na mesma versão lançada nos cinemas, foi lançado em DVD no Brasil. O criador da série, Glen A. Larson, tentou trazer a série de volta, ainda que na forma de um filme de cinema. Mas foi o ator Richard Hatch que por muitos anos batalhou para o retorno de Galactica, numa série que daria continuidade aos episódios originais, ignorando os eventos mostrados em Galactica: 1980. Ele chegou até a produzir um trailer da nova versão, com a participação do falecido ator John Colicos, que interpretava Baltar.

Mas foi o produtor Ronald D. Moore, já conhecido por seu trabalho nas série
Jornada nas Estrelas: A Nova Geração que, em 2003, trouxe às telas do Sci-Fi Channel uma nova versão (não uma continuação) de Battlestar Galactica - desta mais adulta, enfatizando mais o drama que a aventura. Na minissérie inicial de quatro capítulos (exibida como um longa metragem de três horas na TV paga brasileira), ficamos sabendo que, desta vez, os cilônios foram criados pelos humanos, e que já haviam entrado em guerra com as colônias cinqüenta anos atrás, antes de ser firmado um tratado de paz. Um diferencial interessante dos novos cilônios é o fato de existirem dois tipos deles: os cibernéticos e os híbridos, estes possuindo aparência humana (existem doze modelos híbridos). Quando um dos híbridos morre, sua consciência é transferida para um outro corpo idêntico. Outra inovação interessante é que estes cilônios também possuem uma religião. Enquanto a dos humanos é politeísta (acreditam em vários deuses), a deles é monoteísta (deus único).

Outro detalhe importante é que há cilônios híbridos infiltrados na frota colonial que sobreviveu ao holocausto, e alguns estão em estado dormente, não sabendo que não são humanos. Por exemplo, temos uma tenente Boomer em Caprica, que sabe de sua natureza, e outra na Galactica que, por vários episódios, não sabe de sua condição - até despertar com ordens sinistras. A Galactica agora é uma velha Astronave de Combate que, antes do ataque, estava saindo de serviço para se tornar uma nave escolar (na versão original ela era da elite da frota colonial). De modo similar à versão original, os personagens em destaque na nova Galactica são Adama (Edward James Olmos), Apollo (Jamie Bamber), Starbuck (Katee Sackhoff), Boomer (Grace Park), o Primeiro Oficial Saul Tigh (Michael Hogan) e alguns novos personagens, como o Chefe Tyrol (Aaron Douglas) e a Presidente das Colônias, Laura Roslin (Mary McDonnell). Contudo, alguns personagens masculinos da série original viraram mulheres na nova versão, como Starbuck e Boomer. Já o personagem de Baltar (James Callis) aqui também trai os humanos, ao passar os dados da rede de defesa colonial para a loira cilônia Número Seis (Tricia Helfer), permitindo que eles consigam desmantelar as defesas das doze colônias. Algo que desde o início prende a atenção é exatamente a relação do personagem Baltar com a Número Seis, já que após a sua morte em Caprica ela passa a aparecer somente para ele; não se sabe se ela está de fato em contato com Gaius de alguma forma, ou se ele simplesmente está louco.

Curiosidades:

  • O ataque traiçoeiro dos cilônios no piloto, de certa, forma faz eco aos atentados de 11 setembro de 2001 nos EUA, algo comum nas produções americanas atuais;

  • As tramas centradas no coronel Tigh, beberrão e manipulado pela esposa, têm sido muito interessantes ao mostrarem como sua falta de visão / incompetência causou alguns desastres, que Adama teve que consertar depois;

  • Basicamente, na primeira temporada a ação se passou na frota colonial e em Caprica, sendo que novos locais aparecem na segunda temporada;

  • Richard Hatch, o Apollo original, aparece em alguns episódios da nova versão, interpretando um ex-terrorista com pretensões de chegar ao cargo de Presidente;

  • Os atritos (e posteriores reconciliações) da presidente Roslin com Adama também têm rendido boas histórias.

  • Assim como na série original, na segunda temporada desta nova versão surge outra Astronave de Combate sobrevivente, a Pegasus, comandada pela Almirante Cain (Michelle Forbes);

  • O sucesso da nova Galactica, já renovada para a terceira temporada, dará origem à spin-off Caprica, que ao que tudo indica vai mostrar a origem dos cilônios, em mais uma prequel que segue a onda iniciada em 1999 por Star Wars Episódio I: A Ameaça Fantasma, e que parece longe de acabar.

Além da segunda temporada da nova Galactica estar em exibições no Brasil pelo canal pago TNT, o piloto e sua primeira temporada também já foram lançados em DVD por aqui. Isso e mais a terceira temporada, que estréia no Sci-Fi em outubro, garante que os fãs da ultima Astronave de Combate vão poder se divertir ainda por muito tempo.

Guilherme da Costa Radin

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