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A Saga de
O SENHOR DOS ANÉIS


A trilogia O Senhor dos Anéis (A Sociedade do Anel, As Duas Torres e O Retorno do Rei) é uma das maiores obras literárias do século vinte, e também se tornou há alguns anos uma estupenda trilogia cinematográfica, sob a direção do neozelandês Peter Jackson. Peter, quando criança, leu toda a obra e tinha certeza que ela poderia dar origem a ótimos filmes. Quando adolescente ele assistiu Star Wars (1977), filme que foi essencial em sua decisão de tornar-se diretor e levá-lo, futuramente, a assumir a produção e direção da trilogia de J.R.R. Tolkien (para saber mais sobre a grandiosa obra de Tolkien e sua repercussão cultural: http://pt.wikipedia.org/wiki/O_Senhor_dos_Anéis).

Apesar da saga de Tolkien ser considerada uma das maiores obras literárias da língua inglesa e da literatura mundial, e de ao longo dos anos terem sido feitas algumas adaptações para rádio, teatro e cinema (neste caso, um longa de animação), mais de cinco décadas se passaram até que ela recebesse uma transposição à altura de sua grandeza - graças à abnegação de Jackson, que convenceu a New Line Cinema a investir US$ 300 milhões não em um, mas em três filmes rodados simultaneamente. Adaptar a trilogia sem dúvida não seria uma tarefa fácil, devido às suas mais de 1000 páginas, e a grande quantidade de personagens. Mas, aparentemente, o próprio Tolkien, de algum lugar, parecia estar guiando Jackson e seu projeto, e apesar de todas as dificuldades o sonho de criança se tornou realidade. Para a empreitada o diretor criou a Weta, que se encarregou de todos os efeitos especiais (digitais ou não) da trilogia, e contratou o compositor Howard Shore para compor três trilhas sonoras inesquecíveis.

Em O Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel (2001), o mundo finalmente viu nas telas, em carne e osso, Frodo (Elijah Wood ), Sam (Sean Astin), Legolas (Orlando Bloom), Saruman (Christopher Lee), Bilbo (Ian Holm), Boromir (Sean Bean), Gandalf (Ian McKellen, excepcional), Aragorn (Viggo Mortensen) e Galadriel (Cate Blanchett), entre tantos personagens inesquecíveis. Em O Senhor dos Anéis: As Duas Torres (2002), novos personagens chegaram, como o Rei Théoden (Bernard Hill), Éowen (a belíssima Miranda Otto) e Gollum (criação digital baseada na performance do ator Andy Serkis). Em 2003 O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei estreou com um estrondo: além de fechar a trilogia com uma bilheteria que chegou a três bilhões de dólares, o filme ganhou 11 Oscars, incluindo os de Melhor Filme e de Melhor Diretor - feito inédito para um filme de fantasia.

Apesar da adaptação de Jackson ser quase unanimemente louvada, ela teve de sofrer cortes e mudanças em relação ao livro (mas que não chegaram a comprometer o enredo principal), como a criação dos Uruk-Hai, a eliminação do personagem Tom Bombadil e a introdução dos Elfos na Batalha do Abismo de Helm. Também o romance entre Aragorn e Arwen, que pouco aparece nos livros, teve grande destaque nos filmes. Apesar da consagração, houve críticas à versão exibida nos cinemas de O Retorno do Rei, por ela omitir:

1- O embate (via Palantír) entre Aragorn e Sauron;
2- A evolução da loucura de Denethor;
3- Uma explicação ao público da razão pela qual Éowyn, com a ajuda de Merry, foi a única pessoa capaz de matar o Capitão dos Nâzgul;
4- O romance entre Faramir e Éowyn;
5- O destino de Saruman e Gríma;
6- O expurgo do Condado.

Mas quanto a isso Jackson possuía algumas cartas escondidas na manga. Sabendo que os filmes ficariam excessivamente longos caso fossem incluídas as seqüências adicionais, ele as filmou e reservou-as para o lançamento de versões estendidas em DVD, que posteriormente também foram exibidas nos cinemas. Infelizmente a Warner, que lançou em DVD no Brasil os três filmes com a mesma metragem do cinema, até hoje não disponibilizou para nós as versões estendidas que, pela qualidade do material agregado, são hoje consideradas as edições definitivas dos filmes.

Como vimos, a obra de Tolkien foi decisiva para a carreira de Peter Jackson, mas também foi um fator essencial para outros criadores do cinema e da TV. A Trilogia do Anel também muito ajudou George Lucas a compor o enredo da trilogia original de Star Wars (Uma Nova Esperança, O Império Contra-Ataca e O Retorno de Jedi). As semelhanças entre Frodo e Luke Skywalker são inegáveis: enquanto Frodo é tentado pelo poder do “Um Anel”, Luke era tentado pelo poder do Lado Negro da Força, personificado por Darth Vader e o Imperador Palpatine.

J. Michael Straczinski, roteirista de cinema e TV e que também escreve HQs, criou a saga Babylon 5 com forte influência de Tolkien: velhas raças se retirando, o retorno de um mal antigo e a união dos povos sob a liderança dos humanos para derrotá-lo. Como nos livros, também a história principal foi antecedida por um grande conflito, no caso a guerra Terra/Minbar, posteriormente retratada no telefilme Babylon 5 - O Inicio (1998).

Seja através dos livros ou dos filmes,
O Senhor dos Anéis é uma obra inteligente, épica e divertida, altamente recomendada para qualquer fã de fantasia ou ficção - gêneros sobre os quais teve muita influência. Depois da sua trilogia, Peter Jackson realizou outro sonho de infância - uma nova versão de King Kong (2006), que também fez grande sucesso e que mais uma vez contou com espetaculares efeitos da Weta Digital, que tem sido uma concorrente de peso para a Industrial Ligh and Magic de Lucas. E em breve poderemos entrar novamente na Terra-Média através da duologia O Hobbit, a ser dirigida por Guillermo Del Toro (Hellboy, O Labirinto do Fauno) mas tendo novamente Peter Jackson como produtor - este sim, o verdadeiro Senhor dos Anéis do século 21.

Guilherme da Costa Radin

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