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JORNADA NAS ESTRELAS
A INVISIBILIDADE DAS NAVES

Romulanos, os pioneiros em Jornada nas Estrelas no uso da invisibilidade em naves

Diversos povos do universo de Jornada nas Estrelas possuem naves com a capacidade de ficar camufladas (ou invisíveis, para sermos mais claros), mas para podermos tocar neste assunto devemos primeiramente mencionar a obra “O Homem Invisível” (1897), de Herbert George Wells. No livro, o cientista Dr. Griffin cria um meio de ficar transparente, mas o processo se torna irreversível e ele vai ficando perturbado, conforme suas tentativas de reverter o processo falham. A obra foi adaptada para o cinema com primor em 1933 e depois só teve adaptações fracas até o recente O Homem sem Sombra, que resgatou elementos clássicos do original.

Existe uma infinidade de adaptações que utilizam a invisibilidade ou personagens com esse poder, como Sue Richards do Quarteto Fantástico, ou o alienígena de Predador (1988), filme onde um grupo de elite do exército dos Estados Unidos, durante uma missão, acaba esbarrando num poderoso caçador de outro mundo, que possui tecnologia de invisibilidade. Na série Babylon 5, os vilões Shadows tem esta tecnologia, e o jogo "Rebel Assault 2", de Star Wars, mostra que o Império Galáctico desenvolveu um caça Tie com invisibilidade, batizado de Tie Phantom. A invisibilidade também já foi mostrada através de magia, como a obtida pelo Um Anel, utilizado pelos hobbits de O Senhor dos Anéis (livro e filmes). Mas em nossa realidade já foi criada uma tecnologia de invisibilidade, mas diferente desta. Durante a Guerra Fria surgiu o conceito dos aviões stealth, indetectáveis pelo radar, que poderiam atacar a União Soviética caso eclodisse uma guerra entre ela e os Estados Unidos.

A empresa Lockheed ganhou uma concorrência e firmou um contrato secreto com o governo dos EUA, para desenvolver um bombardeiro indetectável. O formato piramidal do F-117, e o fato dele não ter linhas retas, impede sua detecção ao radar. Um F-117 possui um formato diferente dependendo do ângulo que se olhe para ele, e isto também contribui para nenhum radar detectá-lo. Em 1988, o governo dos EUA apresentou ao público este avião, que impressionou a todos. No ano seguinte, ele participou das operações para depor o ditador Noriega, no Equador, mas os bombardeios foram mal sucedidos, já que o avião não foi projetado para bombardear terreno aberto .

Em 1991, sua viabilidade foi comprovada durante as missões bem sucedidas na Guerra do Golfo. Ele representava 11% do arsenal mobilizado contra o exército de Saddan Husseim, mas despejou 40% das bombas utilizadas durante o conflito. O F-117 também esteve presente nas campanhas do Afeganistão (2001) e Iraque (2003). Em 1999 entrou em operação o bombardeiro B-2, da Northrop, que é a segunda geração de aviões com tecnologia stealth. O formato de asa, e a ausência de linhas retas, impede sua detecção por radar. o B-2 pode carregar o dobro de bombas que o F-117, e foi projetado para dois pilotos. O B-2 também foi utilizado nas recentes campanhas militares dos EUA. A Lockheed já está desenvolvendo um submarino stealth, e também sabe-se que a terceira geração de aviões stealth está na prancheta da Lockheed ou da Northrop. O F-117 e o B-2 devem ficar na ativa até 2040, quando serão definitvamnete substituídos por modelos mais avançados.

Não podemos deixar de fora o polêmico o Projeto Filadélfia. O trecho a seguir foi extraído do fanzine "Pistoleiro Solitário":

"Uma série de estranhas cartas recebidas por um cientista em 1956 falam de um experimento secreto de invisibilidade no qual um destróier da marinha dos Estados Unidos teria se teletransportado de um lugar a outro. Experimento Filadélfia seria o nome que teria recebido o suposto projeto ultra-secreto da marinha dos Estados Unidos em 1943, que visava a invisibilidade absoluta de um navio, tanto para o radar inimigo como para o olho humano. Título de um livro lançado em 1979, "The Philadelphia Experiment: Project Invisibilility", escrito por Charles Berlitz, e de um filme de 1984 , The Philadelphia Experiment, dirigido por Stewart Raffil e baseado no script de William Gray e Michael Janover.

Mas a história começa com Morrisketchum Jessup, que nos anos vinte foi professor de astronomia e matemática na universidade de Drake e na universidade de Michigan. Jessup passou muito tempo estudando as ruínas maias e incas e chegou à conclusão que tais construções só poderiam ser erguidas com a ajuda de tecnologia superior ou extraterrestre. "The case for the UFO" (O Caso dos OVNIS), primeiro de quatro livros sobre o tema, era uma mescla de objetividade cientifica e pseudociência. "The Case for the UFO" foi publicado em nova York em 1955, no livro Jessup pedia que seus leitores pressionassem seus representantes políticos exigindo investigações sobre a teoria do campo unificado, problema que Albert Einstein enfrentou durante os seus últimos vinte anos de vida e que, segundo Jessup, tal teoria poderia explicar a incógnita da força propulsora dos OVNIS.

No dia 13 de janeiro de 1956, Jessup recebeu a primeira carta de um leitor, que era Carlos Miguel Allende, que com erros de ortografia e pontuação advertia Jessup quanto à teoria do campo unificado, segundo Allende a teoria foi colocada em prática pela marinha norte americana em 1943, em um experimento que tornara um navio completamente invisível. Isso acarretou terríveis resultados para a tripulação. Jessup contestou a carta e pediu por mais detalhes, pórem Allende não pôde dar mais informações. Entretanto Jessup e seu livro foram temas de conversas na capital, Washington DC. Seu livro foi visto com grande curiosidade pela ONR (órgão de investigação naval), que mais tarde convidaria Jessup para realizar comentários sobre o livro em Washington. A relação direta de Jessup com o assunto terminou na noite do dia 20 de abril de 1959, quando o e encontraram morto em seu carro, asfixiado, pois uma mangueira foi conectada ao cano de escape e posta dentro do carro. As autoridades deram o caso como suicidio.

Do correspondente de Jessup, Carlos Miguel Allende, se sabe muito pouco. Nascido em Springdale (Pensilvânia) em maio de 1925, se alistou na marinha dos Estados Unidos em 14 de julho de 1942 e se licenciou em 21 de maio de 1943. Em julho de 1943 entrou para a marinha mercante, abandonando-a em 1952. Allende afimava que em 1943, o doutor Franklin Reno teria achado uma apicação para a teoria do campo unificado de Eisntein que foi posta em prática pela marinha, uma experiência na qual o navio destróier USS Eldridge e toda a sua tripulação foi tornada invisível. O experimento se realizou em alto mar e foi observado por Allende e mais alguns marinheiros que trabalhavam no barco mercante Andrew Furuseth. Segundo Allende tudo começou como um pequeno zunido, que foi crescendo e se tornou grave e forte, uma névoa esverdeada encobriu o USS Eldridge e como um passe de mágica o navio militar desapareceu em pleno mar. Mas qual não foi o susto de Allende ao ver que, alguns minutos depois, o USS Eldridge estava ancorado no porto como se nada tivesse ocorrido. A marinha americana nega que tal experiência tenha existido."

Na série Arquivo X, em episódio da quarta temporada, um personagem passou pelo que se chamou de “invisibilidade psíquica”, pois ele não podia ser visto diretamente, apenas através de filmagens ou fotografias. Seria uma invisibilidade psicológica, onde ocorreram alucinações que dimunuíram a percepção da realidade. De acordo com a obra “O Homem Invisível”, de Wells, são a absorção, a reflexão e a retração os fenômenos básicos que ocorrem na iluminação de um objeto; é a partir deles que a luz deve ser desviada do objeto para torná-lo invisível. No livro a química do corpo foi alterada, como nos animais que que possuem habilidade similar, para tornar o Dr. Griffin invisível.

Na década de 1950 foi produzida uma série fraca de “O Homem Invisivel”, mas vinte anos depois surgiu uma nova série, que retomou alguns dos conceitos originais. Desta vez é o cientista Daniel Westin que fica encrencado, mas ele não sofre nenhuma loucura mental, como ocorreu no livro. Ele usa seu poder de forma altruísta, como um super-herói. Na década de 1990 foi produzida a comédia Memórias de um Homem Invisível, dirigida por John Carpenter e estrelada por Chevy Chase. Seu personagem passa a ser perseguido pelo governo, que queria usar suas habilidades adquiridas num acidente. No longa O Homem sem Sombra o cientista ficou invisível de forma sensacionalista e num exagero de efeitos especiais, de resultado grotesco. Mas o cientista era bem fiel ao livro, inclusive ele ficou louco e assassino.

Kirk se disfarça de romulano para roubar um dispositivo de camuflagem

O alien predador do filme Predator (1988) utiliza uma invisibilidade fotônica que é causada por dispositivos eletrônicos. O dispositivo do predador faz uma refração da luz em sua volta, de forma a ficar invisível. A série Jornada nas Estrelas e seus spin offs utilizam este mesmo conceito, que surgiu no episódio da Série Clássica “O Equilibrio do Terror”. Nele, uma nave de guerra romulana, com tecnologia de camuflagem, ataca postos da Federação para testar as defesas federadas. O Capitão Kirk acaba esbarrando nesta nave, comandada por um engenhoso comandante romulano, e tem de enfrentá-la. descobrimos que a Federação considerava a “tecnologia de camuflagem” apenas teoricamente possível, ou seja, eles nunca tinham visto esta tecnologia antes. Também neste episódio fica estabelecido estabelecido que existe uma Zona Neutra entre a Federação e os romulanos, e que ocorreu uma guerra entre a Terra e Romulus no século 22.

Na terceira temporada da Série Clássica, os romulanos reaparecem no episódio “O Incidente Enterprise”, onde Kirk e Spock tentam roubar tecnologia de camuflagem romulana. Também vemos aqui naves romulanas com design klingon, isto levou os fãs a teriozar que no século 23 ocorreu uma curta aliança entre os klingons e os romulanos, onde eles teriam trocado tecnologias. No filme Jornada nas Estrelas 3 - À Procura de Spock, vemos pela primeira vez a ave de rapina klingon com tecnologia de camuflagem, que depois foi muito utilizada nos outros filmes e spin offs. Kirk no filme reconhece a nave, demosntrando que ela não era um modelo desconhecido para a Federação, embora não tivesse aparecido na Série Clássica.

A tecnologia romulana, usada pelos klingons

Em Jornada nas Estrelas 6 - A Terra Desconhecida, surge para espanto de kirk e sua tripulação uma ave de rapina klingon que consegue disparar mesmo camuflada. Isto faz dela uma arma ainda mais mortal, já que suas irmãs que precisam sair da camuflagem para atacar. No episodio “A Zona Neutra” da Nova Geração, o Capitão Picard e sua tripulação têm que lidar pela primeira vez com os romulanos, em meio ao desaparecimento de bases de ambos os lados (é quase certo que os borgs foram os responsáveis). O excelente episódio “O Desertor”, do terceiro ano da Nova Geração, mostra o comandante Tomalak usando uma armadilha de uma base invisível não detectada pela Federação, para tentar capturar a Enterprise-D e descobrir se um alto oficial romulano trairia sua pátria.

No episódio duplo “Redenção”, da quarta para a quinta temporada da Nova Geração, vemos uma nova classe se naves klingons de guerra, com tecnologia de camuflagem - a  classe Vorshok, que fez depois muitas aparições na série Deep Space 9, mas que nunca apareceu nos filmes. Neste mesmo episódio La Forge descobre como detectar as naves romulanas, mesmo camufladas. Em “Pegasus” (2370), descobrimos que em 2311 a Federação fez um tratado de paz com os romulanos, o Tratado de Algeron, onde os federados se comprometiam a não desenvolver a tecnologia de camuflagem. O almirante Pressman, doze anos antes, quando era o capitão da Pegasus, uma nave da classe Oberth, desobedeceu o tratado, fazendo um experimento de camuflagem que acabou em tragédia. Em “All Good Things”, episódio final da Nova Geração, vemos uma realidade alternativa onde a Enterprise-D, 25 anos no futuro, tem como seu capitão Riker e possui 3 naceles e tecnologia de camuflgem. Nesta realidade alternativa, os federados e os klingons são novamente inimigos.

Na serie Deep Space 9, vemos que as naves jem' hadares do Dominion possuem tecnologia de camuflagem bem avançada, já que uma nave consegue surpreender a Estação Nove em “The Jem' hadar”. Também vimos que, apesar de pequenos, os caças jem' hadares destroem facilmente naves da classe Galaxy. A reação da Federação veio através da Defiant, uma nave projetada pelo Capitão Sisko que, graças a um tratado de cooperação com os romulanos, possui um dispositivo de camuflagem. Os romulanos cederam o dispositivo em troca de informações sobre o Dominion, mas de acordo com o tratado a Defiant só pode usar a camuflagem quando estiver no quadrante gama. Na duologia “Improbable Cause” e “The Die is Cast”, o Tal Shiar romulano cede tecnologia de camuflagem à Ordem Obsidiana dos cardassianos, e dessa forma com naves camufladas, estas duas organizações tentam eliminar os Fundadores, que lideram o Dominion. Apesar do esforço de ambas as agências, elas caem numa armadilha mortal e sua frota é destruída. Outro detalhe a ser ressaltado é que os soldados jem' hadares foram moficados geneticamente pelos Fundadores, e possuem invisibilidade também. Curiosamente os borgs, uma espécie aparentemente mais antiga que a dos fundadores do Dominion (os transmorfos do quadrante gama), não têm essa tecnologia. Porém, considerando o poder bélico dos borgs, eles nem precisam de invisibilidade pois são quase invencíveis. O único povo que demonstrou poder para destruir os borgs foi a espécie 8472. Se não fosse a aliança entre a Voyager e os borgs, todos os quadrantes seriam destruídos pelos 8472.

Na série Voyager, só alguns “aliens da semana” andaram aparecendo com esta tecnologia, mas nenhum pertencente a alguma espécie marcante ou importante. Logo no piloto “Broken Bow” da série Enterprise, que se passa um século antes da Série Clássica, as referências anteriores sobre camuflagem são jogadas para o limbo, pois já ali os sulibans tem esta tecnologia. Devemos lembrar que no século 23 (época da Série Clássica), a Federação a considerava apenas teoricamente possível. No episódio “Unexpected” surge mais um povo com esta tecnologia, e como se iso não bastasse, Daniels (o trapalhado defensor da linha do tempo), ainda mostra para o Capitão Archer esquemas de naves do futuro, inclusive klingons. Isso ocorre no fraco episódio “Cold Front”, e nele também temos outros absurdos. Em "Shockwave - Part 1", Daniels coloca na Enterprise NX-01 tecnologia que permite ver as naves sulibans camufladas, mas cem anos depois a Enterprise NCC-1701,de Kirk, não conseguia ver naves camufladas. Onde foi parar a tecnologia que Daniels forneceu? Este é o tipo de pergunta que não devia existir, mas existe por causa dos muitos erros de continuidade cometidos nesta série. E ainda tem mais. Em “Minefield”, da segunda temporada, já surgem os romulanos com naves e minas camufladas e minas camufladas, quando naquela época eles ainda não deveriam ter esta tecnologia. No episódio “The Expanse”, a sonda xindi que atacou à terra demonstrou ter algum tipo de invisibilidade. Como se pode ver, a camuflagem no universo de Jornada nas Estrelas estava seguindo uma linha coerente, até que em Enterprise os produtores jogaram o manual fora, e cometeram muitos erros de continuidade nessa área - e em várias outras.

Fontes:
Fanzine “Pistoleiro Solitário”, número 2, dezembro de 2003, página 3
Wikipédia, - http://pt.wikipedia.org/wiki/Invisibilidade
INOVAÇÃO TECNOLÓGICA - http://www.inovacaotecnologica.com.br/noticias/noticia.php?artigo=010160060526
Marcos Valério XR - http://www.xr.pro.br/FC/INVISIBILIDADE.HTML
Site Oficial de Star Trek - http://www.startrek.com

Guilherme da Costa Radin

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