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VOYAGER: A TRAPALHADA DE JORNADA NAS ESTRELAS

A tripulação da USS Voyager, comandada pela Capítão Janeway (Kate Mulgrew, ao centro)

A USS Voyager

A musa Sete de Nove (Jeri Ryan)

Em 1995, nos EUA, estreou na rede de TV UPN a série Star Trek: Voyager, criada por Rick Berman e Brannon Braga. A trama de mais esta spinoff de Jornada nas Estrelas está centrada em uma nave federada, perdida no distante Quadrante Delta (território dos temíveis borgs), onde não existe a estrutura da Federação para ajudá-los, tendo que sobreviver sozinhos enquanto enfrentam terríveis perigos em sua volta para casa.

A idéia foi original, em termos de
Jornada nas Estrelas, mas infelizmente mal executada por boa parte de sua duração, como também viria a ser sua sucessora Enterprise. Os tripulantes comportam-se como se estivessem num passeio, ao invés de numa encrenca. Temos também as naves auxiliares infinitas, os maquis (rebeldes da Federação) ficando dóceis e se integrando na tripulação rapidamente, etc.

Muitos episódios foram desperdiçados em
tecno-baboseira, ao invés de desenvolver alguma raça ou fazer uma critica social, ao estilo do criador da Série Original, Gene Roddenberry. A Capitão Janeway (Kate Mulgrew) demonstra ter pulso forte, mas às vezes fica muito indecisa, seu Primeiro Oficial, Chakotai (Robert Beltram), mais atrapalha que ajuda.

O Chefe de Segurança, Tuvok, é um vulcano chato e convencido, nem se compara ao memorável Spock. Tom Paris começou como um personagem promissor, como um maqui tentando se regenerar, mas ficou "manso" rápido demais. Kess, em duas temporadas, foi uma mera figurante, e quando começaram a desenvolvê-la, decidiram retirá-la da série.

Felizmente no lugar de Kess, na quarta temporada, entra na tripulação a borg Sete de Nove (jeri Ryan), e com ela vem a  ameaça de seus companheiros - o melhora consideravelmente
Jornada nas Estrelas: Voyager. As temporadas seguintes estão lotadas de episódios que desenvolvem os borgs, ou Sete especificamente. O hilário doutor holográfico (Robert Picardo), tentando humanizar a ex-borg, rendeu também bons episódios. Não por acaso, Sete e o doutor são de longe os melhores - e mais humanos - personagens desta série.

Robert Picardo também apareceu nas séries
Anos Incríveis e Stargate SG-1, enquanto Jeri Rian também pode ser vista, no cinema, em Dracula 2000, e na televisão em Dark Skies (concorrente de Arquivo X que durou apenas uma temporada, The OC e Two and a Half Man. Mas os borgs, depois de um tempo, acabaram sendo foram desvirtuados, pois em “Dark Frontier” a Rainha borg demonstra estar interessada e preocupada com a individualidade humana. Enquanto que, nos bons tempos da Nova Geração, podia-se ver o quão terríveis são os borgs.

Um dos melhores episódios é “Scorpion”, onde vemos que até um borg pode ser derrotado; isso, é claro, se ele topar com os 8472 (uma espécie de outro universo que usa tecnologia orgânica, similar aos vorlons de
Babylon5). Nele, vemos uma aliança plausível entre borgs e a tripulação da Voyager, para sobreviver aos 8472.

Nas duas primeiras temporadas, os vilões eram os esquecíveis Kazons (uma cópia mal feita dos klingons) e os viidianos. Mas, felizmente, foram trocados pelos borgs e hirogens. Os hirogens são caçadores espaciais, similares ao visto no filme
Predador, de 1987, mas que estão dispersos por certas áreas do quadrante. Eles nunca viram os borgs.

Outro erro da série foi tentar ligar sempre esse quadrante com a Terra, como num terrível episódio sobre dinossauros espaciais, entre outros. Isso sem falar nos infindáveis episódios gastos com os "
aliens-testa", que destes, poucos prestaram. Um dos melhores mostrava uma sociedade de telepatas, que havia cometido genocídios algumas décadas  atrás, mas Kess, com sua telepatia latente, trouxe esta revelação aos mais jovens.

As aparições de Q (John de Lancie), o poderoso
alien introduzido na Nova Geração, rendeu boas histórias e muita encrenca para Janeway, que foi até assediada por ele, antes de se meter na guerra civil Q.

As aventuras da Voyager se passam entre 2371 e 2377, e foram exibidas nos EUA entre 1995 e 2001. Atualmente é exibida no Brasil pelo canal pago Universal. Curiosidade: esta série nunca foi exibida pela televisão aberta brasileira, ao contrário da
Série Original (todas as temporadas), da Nova Geração (três temporadas) e Deep Space Nine (uma temporada).

Guilherme da Costa Radin

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