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Na década de 1970, um
jovem cineasta de nome George Lucas imaginou a saga espacial Guerra nas Estrelas (Star
Wars). Em 1977 estreou o primeiro filme da série que, conforme
posteriormente foi revelado por Lucas era, para surpresa de muitos, a
quarta parte da jornada de Anakin Skywalker - mais conhecido como o Lorde
Negro de Sith, Darth Vader, discípulo do imperador Palpatine.
Mas a própria jornada de
Lucas para materializar sua criação foi digna de uma saga. Diversos estúdios
inicialmente recusaram o filme, até que um executivo da Fox resolveu bancá-lo,
apostando em Lucas devido ao seu êxito com
Loucuras de Verão (1973). Este episódio inicial de Star Wars acabou virando uma febre mundial. Nos Estados Unidos os
cinemas ficavam abertos vinte e quatro horas por dia, e todas as sessões
eram lotadas. Lucas vencera, e o caminho abriu-se para a filmagem de novos
capítulos.
No filme seguinte, O
Império Contra-Ataca (1980), surge um dos personagens mais adorados
da saga: o mestre Jedi Yoda, que havia treinado Obi-wan Kenobi. Também é
feita a revelação de que o vilão Darth Vader poderia ser pai do herói,
o jovem aprendiz de Jedi Luke Skywalker. Foi nesta seqüência que surgiu
a primeira pista de que a trama foi inspirada na mitologia antiga (na tragédia
grega, mais especificamente). Por introduzir os elementos mitológicos em
uma trama mais sombria e trazer efeitos especiais fantásticos, muitos
consideram este Episódio V o
melhor da saga.
Em O Retorno de Jedi (1983) Luke já é um Cavaleiro Jedi, e redime
seu pai na Batalha de Endor. Esta batalha foi muito criticada devido ao
tom mais infantil provocado pelos ewoks (criaturas semelhantes a ursos de
pelúcia), um enorme contraste em relação ao tom sombrio do
filme anterior. É neste episódio que vemos em ação o Imperador
Palpatine, o grande vilão da saga. Embora Vader seja terrível e cruel,
ele não passa de um marionete do Imperador. Foi Palpatine que corrompeu
Anakin e o fez tornar-se inimigo de Kenobi, destruindo os Jedi e fundando
o Império, tudo isso nos segmentos da saga que ainda não haviam sido
filmados. E tudo indicava que não seriam, já que Lucas alegara estar
cansado de Star Wars.
Mas em 1994 Lucas, após o
fracasso de projetos como Howard
e Willow, anunciou que estava
trabalhando no roteiro de uma nova trilogia. A fim de preparar o terreno,
em 1997 ele relançou a Trilogia
Clássica nos cinemas, com cenas inéditas
e efeitos visuais refeitos em computação gráfica. Como resultado, a
febre Star Wars tornou-se novamente mundial. Finalmente em 1999, mesmo com
um hiato de 16 anos, o Episódio I
da saga, A Ameaça Fantasma,
foi um sucesso mundial - embora muitos não tenham gostado da trama, do
personagem digital Jar Jar Binks e da atuação do garoto Jake Lloyd, que
interpretava Anakin quando criança. A criação de Lucas teve seguimento
em 2002 com O Ataque dos Clones
e em 2005 com A Vingança dos Sith.
Lucas assimilou as críticas, e cada filme resultou melhor que o anterior.
Ainda assim muitos
criticaram a nova trilogia dizendo que era inferior à original, mas não
perceberam que a essência de ambas era a mesma – os tempos é que
haviam mudado. Vejamos, por exemplo, a comparação da estrutura da história
das duas trilogias:
1-
Anakin e Luke têm que decidir se vão sair de Tatooine. Ao
saírem, guiados por um Mestre Jedi, ajudam a sociedade. O primeiro salva
Naboo, o segundo salva a base rebelde em Yavin-4.
2-
Pai e filho têm que decidir se vão obedecer ordens
superiores, ou irão salvar os amigos em perigo. Ao escolherem salvar os
amigos, enfrentam um Lorde Sith sem estarem preparados e acabam sendo
derrotados, tendo uma parte do corpo cortada no combate;
3-
Ambos são tentados por Darth Sidious para cederem ao Lado
Negro da Força. O pai cede, causando o expurgo Jedi e a ascensão do Império,
enquanto o filho, ao não ceder, redime o pai, que sai do Lado Negro para
salvar o filho. Anakin, ao salvar o filho, possibilita o surgimento da
Nova Ordem Jedi e a Nova República (vistos no universo expandido).
Como indicáramos acima, a
jornada aqui descrita é pura mitologia antiga. Essas histórias, há
milhares de anos, transmitiram valores sociais oralmente, e depois
passaram a ser escritas. Os maiores exemplos são a Ilíada
e a Odisséia, de Homero,
que eram a bíblia dos antigos gregos. Lucas, de fato, contratou
especialistas em mitologia, entre 73 e 83, para lhe ajudar a compor a história
de Star Wars.
Em
2005 será publicado o livro “A Mitologia de Star
Wars”, de minha autoria, que conterá os capítulos: “O Processo
de Criação e a Influência da trilogia Guerra
nas Estrelas”, “A Evolução da Ficção Científica no Cinema
Norte-americano de 1902 a 1983”, “A Mitologia em Guerra
nas Estrelas”, e “O Universo de Guerra
nas Estrelas”. O livro é resultado da minha monografia de conclusão
do curso de História na PUC (1997 a 2001), que teve na banca dois mestres
e um doutor em história, sendo aprovada com êxito.
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