SCOOP - O GRANDE FURO (Scoop, EUA / Inglaterra, 2006)
Gênero: Comédia
Duração: 96 min.
Elenco: Hugh Jackman, Scarlett Johansson, Ian McShane, Fenella Woolgar, Kevin McNally, Romola Garai, Carolyn Blackhouse, Sam Friend, Mark Heap, Woody Allen, Matt Day, Julian Glover, Tina Rath, Caroline Blakiston
Roteirista: Woody Allen
Diretor: Woody Allen

Leve e deliciosa

Nova comédia de Woody Allen mostra que o diretor, mesmo longe de Nova York, está cada vez melhor e que sabe como valorizar os “talentos” de Scarlett Johansson

Os ares de Londres estão fazendo bem para o nosso querido e velho Woody Allen, diretor que até pouco tempo atrás dizia não sair de sua amada Nova York. Agora, dizem até que ele está planejando morar na Espanha, vejam só! Não sei se isso é boato ou é mesmo verdade, estou custando a acreditar. Bom, depois de um trabalho excepcional e um pouco atípico em sua carreira - o excelente suspense hitchcockiano PONTO FINAL - MATCH POINT (2005) -, Allen retoma a parceria com Scarlett Johansson, numa comédia agradabilíssima que também faz referências ao mestre do suspense, em especial SUSPEITA, bem como a UM LUGAR AO SOL, de George Stevens, e a outros dois filmes do próprio Allen - MISTERIOSO ASSASSINATO EM MANHATTAN (1993) e O ESCORPIÃO DE JADE (2001). A boa notícia é que SCOOP - O GRANDE FURO (2006) é superior a esses dois trabalhos do diretor.

Por mais que alguns não tenham gostado desse filme, todos precisam dar o braço a torcer e aceitar que Woody Allen ganhou bonito de Brian De Palma no quesito “endeusar Scarlett Johansson”. Além de não conseguir arrancar cenas de sexo "decentes" da jovem loira, De Palma ainda a enfeiou em seu DÁLIA NEGRA. Já Allen tornou-a, em ambos os filmes, incrivelmente sexy, atraente e bela. No caso de SCOOP, mesmo com todos os trejeitos e com a incorporação dos tiques de Allen - ela não larga de seus óculos e fala como Allen - ela está uma maravilha.

SCOOP faz parte da categoria dos filmes leves do cineasta e por isso é tão esnobado ou subvalorizado por muitos, que preferem o diretor ácido como um limão ou emulando Bergman. Falando no cineasta sueco, a referência à morte no começo do filme pode ser uma homenagem a O SÉTIMO SELO. Como também pode não ser, já que Allen conta estórias sobre a morte desde os tempos em que ele escrevia peças de teatro e pequenos contos.

Na deliciosa trama, Scarlett é uma estudante de jornalismo que, durante a apresentação de um mágico (Woody Allen), recebe a visita do espírito de um outro jornalista (Ian McShane) que em seu caminho no barco da morte descobre a identidade do "assassino do tarô", um serial killer que sempre deixa uma carta de tarô ao lado do corpo de suas vítimas, geralmente morenas de cabelo curto. Segundo o fantasma, o assassino seria um conhecido milionário inglês (Hugh Jackman). Scarlett convida Woody para ajudá-la a desvendar o mistério e a conseguir o grande furo que alavancaria sua carreira. O problema é que ela começa a se apaixonar pelo suspeito.

Interessante que o filme trata o fantasma com uma naturalidade que não se via em outras experiências de Allen com o cinema fantástico ou surrealista, como SIMPLESMENTE ALICE (1990), A ROSA PÚRPURA DO CAIRO (1985) ou o segmento de CONTOS DE NOVA YORK (1989). E como é bom sair do cinema com um sorriso nos lábios e ouvindo o comentário de um espectador, que falou: "Esse velhinho é muito bom." Quer dizer, provavelmente essa pessoa não sabe quem é Woody Allen e gostou do filme sem nenhuma predisposição ou tendência natural. E, graças aos céus, Woody continua incansável, já tendo dois filmes garantidos: CASSANDRA'S DREAM, também passado na Inglaterra, e um projeto dramático, com locação em Barcelona. Como diria Borat: "Nice!".

Cotação:
Ailton Monteiro
FILME EM DESTAQUE