O ESCORPIÃO REI (The Scorpion King, EUA, 2002)
Gênero
: Aventura
Duração
: 92 min
Estúdio
: Universal
Elenco:
Dwayne Johnson (The Rock), Steven Brand, Kelly Hu, Michael Clarke Duncan, Grant Heslov, Peter Facinelli, Ralph Moeller, Scott L. Schwartz
Roteiristas: Jonathan Hales, David Hayter, William Osborne
Compositor: John Debney
Diretor: Chuck Russell

Escorpião chocho

Vilão de O RETORNO DA MÚMIA é o herói desta aventura que mais parece ter sido feita para a televisão

O personagem principal de O ESCORPIÃO REI surgiu em O RETORNO DA MÚMIA (2001), e era um dos vilões do filme. Aqui, novamente interpretado pelo lutador de luta-livre norte-americano The Rock, ele é o herói. Este ESCORPIÃO REI possui recursos bem mais modestos que os títulos da série A Múmia, e mesmo assim pretende ser uma nova franchise do estúdio Universal, no estilo de CONAN, O BÁRBARO. Porém, tudo suficientemente esquematizado e estilizado para os padrões atuais, de modo a não aumentar a censura do filme. O fato é que esta fita, dirigida pelo mesmo Chuck Russell de O MÁSKARA, estreou nos Estados Unidos com ótimas bilheterias, o que repetiu-se no Brasil.

O filme inicia com o acadiano Mathayus (The Rock), sendo contratado pelo líder de um povo em extinção para matar a feiticeira de Memnon (Steven Brand), ditador que destruiu várias tribos. A feiticeira, Cassandra (Kelly Hu), na verdade é prisioneira de Memnon, e foge com a ajuda de Mathayus, por quem se apaixona. Juntos, acompanhados do guerreiro Balthazar (Michael Clarke Duncan) e do ladrão de cavalos Arpid (Grant Heslov), o personagem cômico do filme, retornam para destruir Memnon. Mathayus é ferido por uma flecha embebida em veneno de escorpião, mas sobrevive com a ajuda da feiticeira. No entanto, o veneno do aracnídeo permanece em seu sangue, o que justifica o seu "apelido". 

O ESCORPIÃO REI, seja em seu estilo visual, seja em suas cenas de luta, possui um jeitão de série de TV - está mais para os seriados XENA e HÉRCULES do que para CONAN. E à exceção de Hu e Duncan, o elenco de apoio é apagado, inclusive o ator que interpreta o déspota Memnon (Brand), que ao que parece faz aqui a sua estréia. Falando em série de TV, o ator que interpretou Conan na telinha, Ralph Moeller, está quase irreconhecível como um dos comandantes de Memnon. É um desperdício, ele daria um vilão bem melhor do que Brand. Em compensação, Johnson (The Rock) possui carisma, desempenho e porte físico suficientes para convencer no papel.

Mas o filme, entre muitas fraquezas, se ressente de um Jerry Goldsmith ou John Williams (compositores que já provaram serem capazes de criar ótimas partituras até mesmo para filmes medíocres) na trilha sonora, já que John Debney, em um score que mescla orquestra com rock, foi incapaz até mesmo de criar um tema forte para o personagem título.

Ao final, a gurizada aplaude quando o herói beija a mocinha. O ESCORPIÃO REI é apenas isso, um filme para matar o tempo em uma matinê à tarde, no estilo daqueles antigos épicos italianos estrelados por um fortudo. Certamente decepcionará quem espera algo mais ambicioso, já que revela ser, tão somente, o morno aperitivo de uma temporada que inclui pesos-pesados como BLADE II, HOMEM ARANHA e STAR WARS EPISÓDIO II.

Cotação:
Jorge Saldanha
FILME EM DESTAQUE