ROLLING STONES - SHINE A LIGHT (Shine a Light, EUA, 2008)
Gênero: Documentário
Duração: 122 min.
Elenco: Mick Jagger, Keith Richards, Martin Scorsese, Charlie Watts, Jack White, Ron Wood, Kimberly Magness, Rebecca Merle, Christina Aguilera, Byrdie Bell, Gary Cherkassky, Bill Clinton, Hillary Rodham Clinton, Buddy Guy
Diretor: Martin Scorcese

Adrenalina sessentona

Filme de Martin Scorcese que documenta show dos Rolling Stones é mais uma prova de que as "múmias do rock" continuam muito bem, obrigado!

A chance de ver um documentário de Martin Scorsese no cinema é uma oportunidade rara. Inédita para muitos, já que NO DIRECTION HOME: BOB DYLAN (2005) foi produzido para a TV e foi lançado direto em DVD, e THE LAST WALTZ (1978) foi visto por poucos na época do seu lançamento nos cinemas brasileiros. E por mais que Scorsese gostasse de Dylan e The Band, todo mundo sabe que ele é um grande fã dos Rolling Stones. Basta ver a quantidade de vezes em que ele colocou canções da banda em seus filmes. Só "Gimme Shelter" apareceu em três filmes de Scorsese: OS BONS COMPANHEIROS (1990), CASSINO (1995) e OS INFILTRADOS (2006). CASSINO tem simplesmente seis faixas dos Stones na trilha sonora. E por isso achei falta de consideração da parte dos Stones não tocarem essa canção no show. Na verdade, os músicos - Jagger em especial - não foram tão gentis assim com Scorsese, já que o set list só foi passado para o diretor segundos antes da apresentação começar, tornando um pouco difícil para o diretor saber com qual das câmeras ele iniciaria o show.

E depois de rirmos bastante com essa situação e depois da aparição de Bill Clinton e família, começa o show, com um dos riffs de guitarra mais conhecidos do mundo: o de "Jumping Jack Flash", canção que eu não consigo deixar de gostar, mesmo tendo ouvido tantas vezes. Já "Satisfaction" considero uma canção bem manjada, e suspeito que Mick Jagger odeia cantar essa música depois de tantos anos. Tanto é que eu achei a escolha da canção muito óbvia para encerrar o show - ainda mais com tantas outras importantes que eles poderiam utilizar. A que eu fiquei mais entusiasmado e emocionado em ouvir foi "As Tears Go By", com Keith Richards fazendo backing vocal. Ficou bem bonita e considero o melhor momento do show. Algumas faixas que eu não conhecia me agradaram bastante, como "Some Girls", que tem um riff de guitarra poderoso, tocada pelo próprio Jagger. "Far Away Eyes" foi outra que me pegou de surpresa e me animou bastante. Inclusive, sinto que preciso conhecer o álbum SOME GIRLS (1978) em sua totalidade, já que todas as faixas desse disco que eu ouvi, eu gostei (também gosto muito de "Respectable" e "Miss You", que ficaram de fora).

Três convidados especiais fazem duetos com Jagger em ROLLING STONES - SHINE A LIGHT (2008): Jack White, Buddy Guy e Christina Aguilera. Incrivelmente, a melhor performance dos três foi de Aguilera, cantando "Live with Me", do álbum LET IT BLEED (1969). Ver Jagger se aproveitando da gostosura da cantora enquanto pode não tem preço. O repertório do show é basicamente de músicas dos anos 1960 e 1970 e umas poucas dos anos 1980 ("She was Hot", "Start me Up"). Mas a banda tem tantas canções importantes que várias delas acabam mesmo ficando de fora, mesmo num filme que excede um pouco as duas horas de duração. Sem falar que Jagger, o grande dono do filme (mais do que Scorsese, eu diria), mandou cortar diversas cenas de entrevistas antigas com os membros da banda, por mais divertidas e interessantes que elas fossem. Mas que bom que algumas dessas pequenas entrevistas permaneceram para tornar o filme mais divertido. As cenas com entrevistas foram retiradas de diversos momentos da carreira da banda - do início, quando a banda só tinha poucos anos de atividade, até a fase "sexagenária".

E já que eu tratei do assunto "idade", como eu comentava com um amigo que me acompanhou durante a sessão, talvez essa vitalidade de Jagger, que corre e dança no palco como se ainda fosse um garoto, venha do seu trabalho, da adrenalina, da sobrecarga de energia que passa pelo seu corpo e o mantém vivo e ativo. Por isso não sei se seria uma boa idéia os Stones pararem, depois de tanto tempo na estrada, por mais que muita gente os chame de múmias ou de mortos-vivos.

Cotação:
Ailton Monteiro
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