TERROR EM SILENT HILL (Silent Hill, EUA, 2006)
Gênero: Terror
Duração: 127 min.
Elenco: Radha Mitchell, Sean Bean, Laurie Holden, Deborah Kara Unger, Kim Coates, Tanya Allen, Alice Krige, Jodelle Ferland, Eve Crawford
Compositores: Jeff Danna, Akira Yamaoka
Roteirista: Roger Avary
Diretor: Christophe Gans

Até que enfim

Famosa série de games de horror da Konami ganha uma ótima versão cinematográfica, que agradará quem conhece os jogos e assustará o público em geral

A filha de Rose da Silva, Sharon, tem pesadelos com uma cidade do interior chamada Silent Hill, que há muitos anos foi devastada por um incêndio. Apenas Rose e o marido Chris (Sean Bean) sabem que ela foi adotada por eles ainda bebê, em um orfanato próximo à cidade dos pesadelos. Temendo pela segurança e sanidade da menina, Rose decide levá-la até Silent Hill para desvendar o mistério. No caminho elas são abordadas pela policial rodoviária Cybil, que as persegue achando tratar-se de um rapto. Em alta velocidade na estrada que leva a Silent Hill e tentando evitar o atropelamento de uma garota que surgiu no meio da estrada, Rose perde o controle do carro e desmaia. Quando acorda, descobre que Sharon desapareceu. Ela vai a pé até a cidade, onde posteriormente será encontrada por Cybil. Não demoram para descobrir que a cidade, sempre coberta por uma névoa de cinzas, fica numa espécie de limbo povoado por criaturas grotescas. Enquanto Chris tenta descobrir o paradeiro da esposa e da filha, Rose percebe que Sharon é a chave para desvendar o enigma do assustador lugar.

Pelo resumo acima, quem está familiarizado com o game Silent Hill, da Konami, percebeu que, apesar da mudança de alguns protagonistas, TERROR EM SILENT HILL é uma versão bem fiel do jogo que até agora já rendeu quatro títulos para o console Playstation 2. Por sorte, o filme envolveu em sua realização pessoas que, além de talentosas, eram fãs do jogo original e souberam preservar a essência do que o tornava tão assustador. Roger Avary, roteirista da obra-prima de Quentin Tarantino PULP FICTION, escreveu um roteiro que sabiamente retirou elementos do jogo original que não ficariam bem no filme (cães-monstro, gárgulas voadores), substituindo-os por outros mais sérios, retirados de outros títulos da série. Acertadamente o protagonista masculino deu lugar a uma mãe em desespero, o que acentua a dramaticidade da trama. Por outro lado, determinados cenários e situações são reproduções idênticas do que se vê no jogo. Assistindo no filme Rose perambular pelos corredores escuros da escola ou do hospital, me senti quase que como quando joguei nervosamente Silent Hill pela primeira vez - acreditem, foi uma experiência genuinamente assustadora. As criaturas de pesadelo, verdadeiras aberrações frutos do designer Patrick Tatopoulos, saíram diretamente do console de videogame para para nos apavorar.

Este, aliás, é o grande mérito do filme. O diretor Christophe Gans (do ótimo O PACTO DOS LOBOS) manteve o clima de terror (aqui mais psicológico) do jogo, diferentemente do que ocorreu com os filmes de RESIDENT EVIL, que viraram o veículo para tornar Milla Jovovich uma heroína de ação. E sob este aspecto TERROR EM SILENT HILL consegue ser melhor que a maioria dos filmes do gênero que surgiram recentemente, incluindo aí os de horror japonês (originais ou refilmagens). Outra ótima decisão foi preservar na trilha original algumas músicas do game, de autoria de Akira Yamaoka. Elas fazem uma ligação direta do filme com o jogo, e continuam sendo em boa parte responsáveis pela construção do clima de melancolia e ameaça.

A conclusão, considerada excessivamente sangrenta por muitos, sem dúvida é uma concessão comercial. Mas ela é necessária para que a história do game seja minimamente compreensível para os neófitos de Silent Hill, e que o filme tenha uma resolução satisfatória. O importante é que, entendendo bem a história ou não, o espectador aprecie TERROR EM SILENT HILL pelo que se propõe e consegue ser: a melhor adaptação cinematográfica de um videogame, e um ótimo ensaio sobre o horror -ainda que não assuste tanto quanto o jogo.

Cotação:
Jorge Saldanha
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