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MARK SNOW

por Jorge Saldanha

Para os mais desavisados, é difícil estabelecer um elo de ligação entre o Capitão Nemo de 20.000 Léguas Submarinas, Fox Mulder de Arquivo X e Frank Black de Millenium. Já os interessados tanto em Ficção Científica como em trilhas sonoras descobrirão, sem muito esforço, que tais personagens protagonizam produções feitas para a TV nos anos 90, e cuja música foi composta pelo compositor Mark Snow. Apesar de ter iniciado a compor em 1976, apenas recentemente Snow recebeu o merecido reconhecimento, graças ao seu trabalho nas duas populares séries criadas pelo produtor Chris Carter. A música ambiental que acompanha as investigações de Fox Mulder, Dana Scully e Frank Black tornou-se parte indissociável dos programas e de seus personagens. Com a trilha sonora por ele composta para a minissérie 20.000 Leagues Under The Sea, exibida na ABC americana e lançada em vídeo no Brasil, Mark Snow mostra talento para um estilo mais clássico de trilha, e que talvez melhor demonstre suas qualidades como compositor. Qualidades que foram exercitadas em mais de 70 telefilmes e séries, como Starky & Hutch, T. J. Hooker e An American Story.

Snow começou como tantos outros compositores que acabaram especializando-se em cinema e TV: no início dos anos 70, ele era um jovem estudante da Julliard School of Music que pretendia fazer carreira como músico de orquestra. Seu companheiro de quarto era Michael Kamen, que anos após criaria as trilhas de Máquina Mortífera, Duro de Matar, Robin Hood e O Enigma do Horizonte, entre outros filmes. Grande fã da música clássica moderna, seu interesse em compor para o cinema nasceu ao conhecer a magistral trilha de Jerry Goldsmith para O Planeta dos Macacos. À época, foi também muito influenciado pelas trilhas de televisão que estavam sendo compostas por Patrick Williams (São Francisco Urgente, O Mágico) e Morton Stevens (Hawaii 5-0, Police Woman). Após concluir seus estudos, mudou-se para a Califórnia, onde conseguiu entrar em contato com o produtor Aaron Spelling, assinando seu primeiro contrato. A partir de The Rookies, Snow trabalhou em várias produções policiais até o produtor Doug Kramer oferecer-lhe um trabalho diferente: O Barco do Amor. Desde então, foram várias incursões televisivas em drama, comédia e ação, até que, anos depois, Chris Carter contratou o compositor, fazendo-o ingressar na fase mais sombria e inspirada de sua carreira.

Ao longo de Arquivo X, Snow acabou por tornar-se, nas próprias palavras do produtor, "o terceiro personagem da série". Seja em closes dos atores, durante cenas de diálogos, seja em cenas com mutantes, alienígenas e assassinos, o compositor criou uma assinatura musical inconfundível, a começar pelo já famoso tema de abertura - curiosamente, quase nunca usado no transcorrer dos episódios. Mas quais seriam os maiores desafios para este "X-Man" musical, que leva de três a cinco dias para compor uma trilha específica para cada novo capítulo? "Os mais difíceis são os que tratam da grande conspiração, episódios-chave que contém muita música, porém são mais limitados quanto à escolha de sons e instrumentos. São episódios importantes, porém restritos à ação e ao drama. Musicalmente prefiro os "atípicos", centrados em algum problema particular de um dos personagens, ou no humor. São mais abertos e criativos, posso escrever músicas realmente emocionais e melódicas", declara Snow. Apesar de basear-se principalmente em teclados, a música de Arquivo X apresenta ocasionalmente instrumentos de corda e percussão. Alguns dos melhores momentos musicais da série foram capturados no CD The Truth and The Light: Music From The X Files, na verdade a primeira trilha do autor a ser lançada em disco.

Seu segundo CD, com a trilha de 20.000 Léguas Submarinas, chegou em 1997 através da gravadora belga Prometheus, contendo uma música diferente de tudo o que o compositor fizera até agora. "Sempre fui um grande fã das trilhas que Bernard Herrmann compôs para Viagem ao Centro da Terra e A Ilha Misteriosa, filmes baseados na obra de Júlio Verne. Então, para retratar o Capitão Nemo (Michael Caine) e seu incrível submarino, já sabia de antemão a linha a seguir: música gótica, orquestral, com muito sopro e cordas, pontuada por momentos de grande ação", comenta Snow sobre seu trabalho mais recente. De fato, qualquer um que ouve à grandiosidade de sua música custa a acreditar que foi composta para uma produção especialmente feita para a TV, e especialmente por Mark Snow. Em um futuro próximo, o compositor planeja lançar um CD com a trilha de Millenium, além de um segundo volume de Arquivo X, sem os diálogos que permeiam as músicas do primeiro. Apesar de haver semelhanças entre a música de Arquivo X e Millenium, esta última mereceu harmonias mais sombrias, com solos de violino em estilo Celta, retratando o mal e o horror ocultos na alma humana. Desde 96 Snow anda bem atarefado, mas seu trabalho deverá aumentar principalmente em virtude do lançamento de Arquivo X; O Filme, para o qual Snow compôs uma trilha mais clássica, utilizando-se de uma grande orquestra e técnicas similares às de John Williams e James Horner. A música de X Files: Fight The Future foi lançada em dois CDs separados: um é uma compilação pop, o outro contém a trilha integral de Snow.

Filmografia de Mark Snow, cortesia de Internet Movie Database

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