EU SOU A LENDA (I Am Legend, EUA, 2007)
Gênero: Ficção Científica
Duração: 101 min.
Elenco: Will Smith, Alice Braga, Salli Richardson, Paradox Pollack, Charlie Tahan, Michael Ciesla, Thomas J. Pilutik
Compositor: James Newton Howard
Roteiristas: Mark Protosevich, Akiva Goldsman, John William Corrington, Joyce Hooper Corrington
Diretor: Francis Lawrence

Chance perdida

Nova versão cinematográfica do livro de Richard Matheson começa muito bem, mas acaba se rendendo à tentação fácil dos efeitos em CGI

Antes deste EU SOU A LENDA, o livro "I Am Legend" do cultuado escritor Richard Matheson já havia sido adaptado para o cinema em MORTOS QUE MATAM (1964) e A ÚLTIMA ESPERANÇA DA TERRA (1971), onde Vincent Price e Charlton Heston interpretavam, respectivamente, o protagonista. Nesta nova versão cabe a Will Smith dar vida a Robert Neville (Morgan, no primeiro filme), aparentemente o único sobrevivente humano de uma praga causada por um vírus criado originalmente para curar o câncer, mas que acabou dizimando a humanidade. Não toda ela - alguns infectados sobreviveram e foram transformados em criaturas semelhantes a vampiros que, incapazes de resistir à luz solar, saem apenas à noite para matar.

Dirigido pelo mesmo Francis Lawrence do bom CONSTANTINE (2005), EU SOU A LENDA começa muito bem, sabendo explorar de forma exemplar a solidão do personagem principal que, nas ruas de uma Nova York deserta (à exceção de cervos e de alguns leões fugidos do zoológico) no ano de 2012, possui como companhia apenas a cadela Sam. Aliás, alguns disseram que Will Smith merecia o Oscar por este filme, porém méritos do ator à parte, não sei se não é a pastor alemão Abby que tem a interpretação mais expressiva...

Enquanto acompanhamos a rotina de Neville, um cientista militar que transformou seu apartamento numa mistura de bunker com laboratório, onde se tranca à noite e ainda tenta achar uma cura para a praga, surgem flashbacks que nos mostram a origem da catástrofe e a evacuação de Nova York. Neles, ficamos conhecendo a filhinha e a esposa de Neville, que não sobreviveram. No presente, aos poucos surgirá a presença dos infectados, primeiramente vistos nas sombras e que proporcionam a seqüência de maior suspense do filme - quando Neville entra num depósito escuro à procura de Sam e topa com um "ninho" das criaturas.

Nesta parte inicial EU SOU A LENDA é um filme estupendo que prometia ser a versão definitiva da obra de Matheson (lançada aqui junto com o filme), com cenas muito bem conduzidas e ambientadas. Infelizmente, a partir do momento em que os infectados saem das sombras, todo o clima e o suspense anteriormente construídos caem por terra, arruinados por efeitos em computação gráfica. Os infectados foram criados inteiramente em CGI de segunda, e parecem uma mistura de zumbis com os robôs de EU, ROBÔ, também estrelado por Will Smith. É uma pena que Lawrence não tenha usado atores maquiados pelo menos para os closes, já que o resultado seria muito mais convincente. Porém não duvido que tenha havido pressão do estúdio sobre ele, em busca de ganhos nas bilheterias usando os efeitos visuais como chamariz.

Contando também no elenco com a brasileira Alice Braga como Anna, uma paulista (milagre, não veio do Rio nem do Amazonas!), EU SOU A LENDA, como diversão descompromissada, merece ser conferido. Mas na saída do cinema a frustração pelo clássico moderno que poderia ter sido será inevitável.

Cotação:
Jorge Saldanha
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