SPEED RACER (Speed Racer, EUA, 2008)
Gênero: Aventura
Duração: 129 min.
Elenco: Emile Hirsch, Christina Ricci, John Goodman, Susan Sarandon, Matthew Fox, Roger Allam, Paulie Litt, Benno Fürmann, Hiroyuki Sanada, Taejo Togokahn, Richard Roundtree,Kick Gurry
Compositor: Michael Giacchino
Roteiristas: Andy Wachowski e Larry Wachowski
Diretor: Andy Wachowski e Larry Wachowski

Corrida cansativa

Apesar do impressionante delírio visual criado pelos irmãos Wachowski, sua transposição do anime clássico para live action empaca em diálogos longos e nas frenéticas corridas, que se tornam repetitivas

SPEED RACER (2008) é o aguardado retorno às telas dos irmãos Wachowski, depois do sucesso misturado com desapontamento da trilogia MATRIX (1999-2003). Desta vez, para homenagear uma das primeiras animações japonesas a fazer grande sucesso em todo o mundo, inclusive no Brasil. Eu, como nunca fui fã do desenho e não lembro de ter assistido sequer um episódio completo, apenas partes, fui ao cinema sem ter nenhum conhecimento sobre a trama e sobre os personagens. Por isso acredito que mesmo para aqueles que nunca viram o desenho, fica a impressão de que os irmãos Wachowski fizeram um excelente trabalho de transposição de uma animação para um filme em live-action. Quer dizer, eles fizeram praticamente o filme inteiro utilizando CGI, logo, trata-se de um filme híbrido, o que não é exatamente uma novidade, mas que aqui é levado às últimas conseqüências.

O que mais impressiona em SPEED RACER é o colorido, que remete aos bons tempos do technicolor, nos anos 50 e 60, onde as cores eram mais vivas. O visual retro-futurista também joga o filme para os anos 60, ao mesmo tempo que se passa aparentemente numa espécie de futuro. Vale lembrar que 1967, ano da produção do anime original, foi o ano mais psicodélico do século no campo das artes, e para manter o filme fiel ao espírito da época há uma explosão de cores, como numa viagem de ácido. Um dos filmes coloridos dos anos 60 que eu mais lembrei enquanto via SPEED RACER foi PERIGO: DIABOLIK, de Mario Bava, especialmente pela presença do personagem Corredor X (Matthew Fox, que quase sempre aparece de máscara e tem aquele jeitão cool). A trilha sonora de Michael Giacchino também tenta emular as trilhas dos filmes da década de 60.

A trama gira em torno do corredor Speed Racer (Emile Hirsh, do ótimo NA NATUREZA SELVAGEM). Speed vive à sombra do irmão, morto num acidente de carros numa das corridas que participou. O uso dos flashbacks para mostrar a infância de Speed, que não conseguia prestar atenção às aulas e só pensava em carros, e o seu relacionamento com o irmão mais velho Rex Racer e a repercussão de sua morte é feito de maneira original, com as ações e os personagens passando pela tela como numa animação antiga. Speed tem uma família bem interessante: um pai que ama o automobilismo (John Goodman), uma mãe compreensiva (Susan Sarandon) e um irmão caçula e um chimpanzé, que sempre estão aprontando das suas. Meio que já fazendo parte da família, há também a namorada, vivida por Christina Ricci, que com seus belos olhos grandes, é uma atriz perfeita para uma adaptação live-action de um anime. Ao vencer uma importante corrida, Speed é convidado por um empresário de uma grande empresa de carros de corrida a assinar um contrato. Ao ver os bastidores da empresa do tal sujeito, que se comporta como uma espécie de demônio tentador, Speed fica na dúvida se deve ou não se juntar ao time dos grandes ou continuar na empresa humilde e independente do pai.

Um dos problemas do filme está nos longos diálogos envolvendo negociações e espionagem, mas ao mesmo tempo isso é uma maneira de descansar os olhos das cenas frenéticas de corrida hiper-colorida. Aliás, a certa altura do filme, as cenas de corrida, que no começo eram diferentes e originais, vão se tornando repetitivas e cansativas, especialmente no perigoso Rally Casa Cristo, que é o clímax do filme. Desse modo, a última corrida se torna chata e tediosa. Ainda por cima levando em consideração que, a essa altura, o filme já havia passado das duas horas de duração, seguindo a tradição dos filmes da série MATRIX. E por mais que seja bem interessante em seus aspectos técnicos, tenha seus momentos simpáticos e dê suas alfinetadas nas grandes corporações, SPEED RACER mais cansa do que empolga e, para mim, isso traz pontos negativos para uma obra cuja intenção principal deveria ser divertir.

Cotação:
Ailton Monteiro
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