HOMEM-ARANHA (Spider Man, EUA, 2002
Gênero: Aventura 
Duração: 121 min 
Estúdio: Columbia 
Elenco: Tobey Maguire, Willem Dafoe, Kirsten Dunst, James Franco, J.K. Simmons, Michael Papajohn, Randy Poffo, Joe Manganiello, Ted Raimi 
Compositor: Danny Elfman 
Roteirista: David Koepp, baseado em histórias e personagens de Stan Lee e Steve Ditko  
Diretor: Sam Raimi 

Sem aracnofobia

Sam Raimi conduz a bem sucedida transposição do Homem-Aranha dos gibis para a tela, em filme que preserva toda a simpatia e a humanidade do personagem

Versões cinematográficas de heróis (ou super-heróis) dos quadrinhos sempre foram polêmicas. Até recentemente, os dois primeiros longas de SUPERMAN, estrelados por Christopher Reeve, detinham a honra de serem as mais bem sucedidas tentativas no gênero. Mas com BLADE (1998) e, mais recentemente,  X-MEN (2000), foi dado início ao que parece ser uma memorável safra de filmes baseados em personagens da Marvel Comics.

E para avaliar esta tão aguardada superprodução HOMEM-ARANHA, considerando o atual baixo nível dos filmes mainstream de Hollywood, o nosso principal critério deve ser aquele famoso "pensava que ia ser muito pior". Realmente, quem assiste ao filme é incapaz de imaginar os problemas que amaldiçoaram o projeto, que desde os anos 80, em meio a uma longa discussão judicial, passou das mãos de Menahem Golan (da finada produtora de abacaxis Cannon Films) para o "Rei do Mundo" James Cameron, até finalmente chegar à Sony/Columbia e ao diretor Sam Raimi (EVIL DEAD, DARKMAN, UM PLANO SIMPLES).

Com um orçamento estimado em U$ 130 milhões, HOMEM ARANHA teve o roteiro escrito por David Koepp, com base no primeiro esboço feito por Cameron, o que resultou numa surpreendentemente fiel transposição para a tela grande dos personagens e histórias de Stan Lee e Steve Ditko. No filme, o Homem-Aranha continua sendo o mais humano dos super-heróis, o jovem fotógrafo "quatro-olhos" Peter Parker (Tobey Maguire, excelente), atazanado pelos brutamontes do colégio e que, de tão tímido, é incapaz de declarar seu amor pela colega e vizinha Mary Jane (Kirsten Dunst, cativante). Órfão e morando com seus velhos tios Ben e May, Parker tem a sua vida mudada radicalmente, após ser mordido por uma aranha geneticamente alterada e adquirir poderes aracnídeos.

Na parte mais interessante e divertida do filme, Parker descobre seus novos poderes e, atrapalhadamente, começa a aprender como dominá-los. Se puder ganhar dinheiro com eles, melhor, e por isso resolve disfarçar-se de "Aranha-Humana" e exibir-se em  um ringue de luta-livre (nesta cena hilária, o juiz é Bruce Campbell, amigo de Raimi e protagonista dos filmes EVIL DEAD). Mas em seguida o destino reserva ao jovem uma tragédia pessoal, que o leva a utilizar seus poderes para combater o crime, disfarçado de Homem-Aranha. Enfrentando uma campanha de difamação feita pelo jornal Clarim Diário, as coisas se complicam para o Aranha quando surge o insano vilão Duende Verde, oculto sob uma armadura e voando em um planador a jato (Willem Dafoe, convincente, principalmente quando, como Norman Osborn, dialoga frente a um espelho com a sua personalidade maligna). O vilão, em seus delírios de dominação, acaba por descobrir a identidade secreta do herói e tenta derrotá-lo atingindo as pessoas que mais ama. 

Contando com um elenco afiado, humor e cenas de ação empolgantes, o maior mérito de HOMEM ARANHA é ter sabido preservar toda a simpatia e a humanidade de Parker/Aranha, um dos personagens mais queridos da história dos comic books. Certamente não é isento de falhas (principalmente em partes do roteiro e mesmo na música - Mr. Elfman, depois de ter composto um tema memorável para BATMAN, esperava algo melhor para o "Cabeça de Teia"), mas estas são em muito compensadas pela direção precisa de Raimi, pelo ritmo dinâmico e pela atuação cativante dos três atores principais, em especial de Maguire.

Independentemente de faixa etária, dificilmente algum fã ou não-fã do Homem-Aranha sairá decepcionado do cinema. O filme é, no mínimo, uma diversão descompromissada que não agride a inteligência, mas que certamente agarra a platéia pelo coração.

Cotação:
Jorge Saldanha
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