Sem aracnofobia Sam Raimi conduz a bem sucedida transposição do Homem-Aranha dos gibis para a tela, em filme que preserva toda a simpatia e a humanidade do personagem Versões cinematográficas de heróis (ou super-heróis) dos quadrinhos sempre foram polêmicas. Até recentemente, os dois primeiros longas de SUPERMAN, estrelados por Christopher Reeve, detinham a honra de serem as mais bem sucedidas tentativas no gênero. Mas com BLADE (1998) e, mais recentemente, X-MEN (2000), foi dado início ao que parece ser uma memorável safra de filmes baseados em personagens da Marvel Comics. E para avaliar esta tão aguardada superprodução HOMEM-ARANHA, considerando o atual baixo nível dos filmes mainstream de Hollywood, o nosso principal critério deve ser aquele famoso "pensava que ia ser muito pior". Realmente, quem assiste ao filme é incapaz de imaginar os problemas que amaldiçoaram o projeto, que desde os anos 80, em meio a uma longa discussão judicial, passou das mãos de Menahem Golan (da finada produtora de abacaxis Cannon Films) para o "Rei do Mundo" James Cameron, até finalmente chegar à Sony/Columbia e ao diretor Sam Raimi (EVIL DEAD, DARKMAN, UM PLANO SIMPLES). Com um orçamento estimado em U$ 130 milhões, HOMEM ARANHA teve o roteiro escrito por David Koepp, com base no primeiro esboço feito por Cameron, o que resultou numa surpreendentemente fiel transposição para a tela grande dos personagens e histórias de Stan Lee e Steve Ditko. No filme, o Homem-Aranha continua sendo o mais humano dos super-heróis, o jovem fotógrafo "quatro-olhos" Peter Parker (Tobey Maguire, excelente), atazanado pelos brutamontes do colégio e que, de tão tímido, é incapaz de declarar seu amor pela colega e vizinha Mary Jane (Kirsten Dunst, cativante). Órfão e morando com seus velhos tios Ben e May, Parker tem a sua vida mudada radicalmente, após ser mordido por uma aranha geneticamente alterada e adquirir poderes aracnídeos. Na parte mais interessante e
divertida do filme, Parker descobre seus novos poderes e, atrapalhadamente,
começa a aprender como dominá-los. Se puder ganhar dinheiro com eles, melhor, e
por isso resolve disfarçar-se de "Aranha-Humana" e exibir-se em um ringue de
luta-livre (nesta cena hilária, o juiz é Bruce Campbell, amigo de Raimi e
protagonista dos filmes EVIL DEAD). Mas em seguida o destino reserva ao jovem
uma tragédia pessoal, que o leva a utilizar seus poderes para combater o crime,
disfarçado de Homem-Aranha. Enfrentando uma campanha de difamação feita pelo
jornal Clarim Diário, as coisas se complicam para o Aranha quando surge o insano
vilão Duende Verde, oculto sob uma armadura e voando em um planador a jato (Willem
Dafoe, convincente, principalmente quando, como Norman Osborn, dialoga frente a
um espelho com a sua personalidade maligna). O vilão, em seus delírios de
dominação, acaba por descobrir a identidade secreta do herói e tenta derrotá-lo
atingindo as pessoas que mais ama. Independentemente de faixa etária, dificilmente algum fã ou não-fã do Homem-Aranha sairá decepcionado do cinema. O filme é, no mínimo, uma diversão descompromissada que não agride a inteligência, mas que certamente agarra a platéia pelo coração.
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