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Um
dos maiores compositores de trilhas sonoras de todos os tempos, Max
Steiner nasceu em Viena, Áustria, no dia 10 de Maio de 1888. Filho e
neto de empresários do entretenimento, ele herdou o nome Maximilian do
avô, dono do Teatro de Viena, onde foram apresentadas operetas clássicas
de Johann Strauss Jr. e Franz Lehár.
Uma criança prodigiosa, Steiner completou o curso de quatro anos da
Imperial Academy of Music em apenas um. Além disso, aos 16 anos de
idade, escreveu trilha (música e letra) e libretto de
The Beautiful Greek Girl, opereta apresentada durante um ano na
capital austríaca. Curiosamente, The Beautiful Greek Girl e
The Crystal Cup, outra opereta, foram dois raros trabalhos
de Steiner como compositor antes de chegar à Hollywood.
Após anos trabalhando como maestro no teatro inglês - com a Primeira
Guerra, teve que abandonar a Inglaterra – ele imigrou para os Estados
Unidos. Pouco tempo depois de sua chegada à Nova York, Steiner
estabeleceu-se como orquestrador e regente da Broadway, onde, durante
quinze anos, esteve envolvido com os shows de alguns dos principais
nomes do teatro musical americano, como George Gershwin. Durante esse
período, seu único trabalho significativo como compositor foi a
fracassada comédia musical Peaches (1923).
Com a chegada do
cinema sonoro, em 1927, houve, naturalmente, uma demanda por músicos, e
foi assim que Max Steiner chegou à Hollywood. Em 1929, o estúdio RKO
adaptou o show Rio Rita (1929), e, a pedido do compositor
Harry Tierney, chamou Steiner para repetir,
no filme, o trabalho de orquestração que ele havia realizado no teatro.
Logo, Max foi nomeado chefe do departamento musical da RKO.
Em
1931, Steiner teve a oportunidade de musicar Cimarron,
faroeste que acabou ganhando o Oscar de Melhor Filme. Ele não foi
creditado por sua eficiente contribuição, mas era o início de uma das
mais admiráveis carreiras da história do cinema e da música.
Inicialmente, a maioria nos inúmeros filmes musicados por Steiner só
tinha alguns compassos de abertura e encerramento, pois o recurso da
trilha sonora ainda não era prática comum. Mas era o suficiente para
evidenciar seu dom melódico, como demonstra, por exemplo, The
Animal Kingdom.
A partir de trabalhos como o drama médico
Sinfonia dos Seis Milhões (Symphony of Six Million, sua primeira
grande trilha), Ave do Paraíso (Bird of Paradise) e
Zaroff – O Caçador de Vidas (The Most
Dangerous Game), todos de 1932, as contribuições de Steiner começaram a
ficar mais substanciais.
No
ano seguinte, ele musicou o famoso King Kong, um de seus
trabalhos mais celebrados. Sua trilha ajuda a transformar um filme
potencialmente risível numa aventura de fantasia envolvente, de final
clássico. Com A Patrulha Perdida (The Lost Patrol, 1934),
Steiner assinou a primeira trilha não proveniente de um musical a
concorrer ao Oscar. 1935, o último ano de Max Steiner na RKO, foi
glorioso. Além de ser diretor musical de O Picolino (Top
Hat, com Fred Astaire e canções de Irving Berlin), ele escreveu três
trilhas memoráveis: Ela, a Feiticeira (She), Os
Três Mosqueteiros (The Three Musketeers) e O Delator
(The Informer), que deu ao compositor o primeiro de seus três Oscars.
No ano de 1936,
Steiner trabalhou para a empresa do produtor David Selznick, escrevendo
as adoráveis O Jardim de Alá (The Garden of Allah),
Um Garoto de Qualidade (Little Lord Fauntleroy) e
Nasce uma Estrela (A Star is Born). Nesse período, também musicou,
sob empréstimo à Warner Bros, A Carga da Brigada Ligeira,
aventura com Errol Flynn. A trilha rendeu um novo e mais interessante
contrato.
Mas,
grande admirador do compositor, Selznick requisitou seus serviços quando
produziu seus filmes mais ambiciosos: E o Vento Levou (Gone
With the Wind, 1939, o trabalho mais famoso de Max Steiner, e cujo tema
principal, parte de uma trilha riquíssima, é imortal), e Desde
que Partiste (Since You Went Away, 1944, Oscar pela belíssima música
de Steiner).
Na Warner, o
compositor continuou exibindo versatilidade, produtividade e talento
espantosos, e ajudou a estabelecer, definitivamente, o padrão da música
orquestral "hollywoodiana"
da primeira metade do século. Praticante do estilo “europeu clássico”,
Steiner escrevia trilhas melodiosas, ricamente orquestradas.
Com o estúdio, para o qual
criou a fanfarra-tema, ele firmou-se para sempre na história de
Hollywood, musicando os filmes de Bette Davis, Humphrey Bogart, Errol
Flynn e James Cagney. Destacam-se em sua longa lista de ótimas trilhas
para a Warner: Luz de Esperança (Green Light, 1937),
A Vida de Emile Zola (The Life of Emile Zola, 1937),
Jezebel (1938), Uma Cidade que Surge
(Dodge City, 1939), Vitória Amarga (Dark Victory, 1939),
A Vida do Dr. Ehrlich (Dr. Ehrlich’s Magic
Bullet, 1940), Dois Contra uma Cidade Inteira (City for
Conquest, 1940), Gloriosa Vitória (Shining Victory, 1941),
A Estranha Passageira (Now
Voyager, 1942, ganhadora do Oscar, sua
melodia principal originou a canção “It Can’t Be Wrong”, sucesso que
recebeu versão em português), As Aventuras de Mark Twain
(The Adventures of Mark Twain, 1944), À Beira do Abismo
(The Big Sleep, 1946), Nossa Vida com Papai (Life
With Father, 1947, ganhadora do Globo de Ouro), Centelha de
Amor (The Voice of the Turtle, 1947), O Tesouro de Sierra
Madre (The Treasure of the Sierra Madre, 1948), Belinda
(Johnny Belinda, 1948), As Aventuras de Don Juan
(Adventures of Don Juan, 1949) e Algemas de Cristal (The
Glass Menagerie, 1950).
Também
é preciso lembrar sua adaptação orquestral de “As Time Goes By” (de
Herman Hupfeld) em Casablanca (1943), fator considerável
para o enorme apelo do filme. Max Steiner foi contratado da Warner Bros.
até 1953, mas o fim do contrato pouco mudou a trajetória do compositor.
Excetuando-se alguns trabalhos para a Columbia Pictures e a Republic,
por exemplo, ele musicou filmes do seu antigo estúdio até o final da
carreira. E embora sua produtividade tivesse começado a diminuir, a
capacidade para criar trilhas sonoras arrebatadoras permaneceu, como
exemplificam A Nave da Revolta (The Caine Mutiny, 1954),
Helena de Tróia (Helen of Troy, 1956) e Meu Pecado
foi Nascer (Band of Angels, 1957).
Em 1959,
Steiner trabalhou em Amores Clandestinos (A Summer Place,
1959), que eliminou qualquer possível dúvida quanto ao apelo que a
música do velho compositor ainda poderia exercer; o tema do filme chegou
ao primeiro lugar na parada de sucessos na gravação da orquestra de
Percy Faith.
Amores
Clandestinos foi um dos sete filmes que Steiner musicou, entre 1959
e 1965, para o veterano diretor Delmer Daves, quase todos fracos. Mas o
compositor nunca deixou de cativar o ouvinte.
Os trabalhos
de Steiner na década de 60 incluem algumas de suas mais encantadoras
criações: Sombras no Fim da Escada (The Dark at the Top of
the Stairs”, 1960), O Erro de Susan Slade (Susan Slade),
Candelabro Italiano (Rome Adventure, 1962),
cujo tema é usado em cerimônias de casamento, e O Preço da
Ambição (Youngblood Hawke, 1964). Em 1965, foram lançados seus dois
últimos filmes: Somente os Fracos se Rendem (Those
Calloways, da Disney), e o terror Sete Noites de Agonia (Two
on a Guillotine). O genial Max Steiner morreu no dia 28 de Dezembro de
1971.
Informações adicionais
Entre
1936 e 1947, as trilhas de Steiner foram orquestradas por Hugo
Friedhofer, e a partir de 47 por Murray Cutter. Steiner foi casado
quatro vezes, a última delas com Leonnette Blair, sua companheira de
1947 até o final da vida. O único filho do compositor, Ronald (nascido
em 1940), cometeu suicídio em 1962. “Notes to You”, autobiografia
iniciada em 1963, não foi concluída.
Filmografia de Max Steiner,
cortesia de Internet Movie
Database
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