SUPERBAD - É HOJE (Superbad, EUA, 2007)
Gênero: Comédia
Duração: 114 min.
Elenco:
Jonah Hill, Michael Cera, Christopher Mintz-Plasse, Bill Hader, Seth Rogen, Martha MacIsaac, Emma Stone, Aviva, Joe Lo Truglio, Kevin Corrigan
Compositor: Lyle Workman
Roteiristas: Seth Rogen, Evan Goldberg
Diretor: Greg Mottola

Nerds recauchutados

Comédia simpática retoma o gênero de sucesso dos anos 1980, mais recentemente representado pela série AMERICAN PIE

Nos anos 1980, quando comédias como PORKY'S e A VINGANÇA DOS NERDS faziam sucesso, tenho a impressão de que esse tipo de filme era desprezado pela crítica e considerado apenas diversão escapista até para os fãs. No entanto, hoje em dia esse tipo de comédia, que mistura sentimentos de amizade com piadas de "mau gosto", é bem mais respeitado. Talvez isso seja culpa dos irmãos Farrelly, mas que bom que isso tem acontecido. A comédia é um gênero que merece ter a total liberdade de fazer piada com o que bem entender. E SUPERBAD - É HOJE (2007), dirigido por Greg Mottola mas que todo mundo só lembra ser produzido por Judd Apatow e escrito por Seth Rogen, está recebendo o respeito merecido, pelo menos por boa parte da crítica. Comparações com o recente LIGEIRAMENTE GRÁVIDOS acabam sendo inevitáveis. Qual é o melhor dos dois? Bom, eu diria que LIGEIRAMENTE GRÁVIDOS é um pouco melhor, mas que SUPERBAD é bem mais engraçado. Já gostei de cara de uma das primeiras piadas do filme, envolvendo os peitos da mãe de um dos dois amigos.

O filme mostra o desespero de dois jovens amigos, Seth (Jonah Hill) e Evan (Michael Cera), para conseguir "comer alguém" numa das festas de fim de curso. Seth - o personagem, não o ator - é um sujeito gordo que tem obsessão por sites pornôs e que encara as mulheres apenas como uma necessidade para transar; já Evan é um sujeito mais respeitador, mais romântico e é apaixonado por uma das meninas da sua sala de aula. Eles são virgens, bem pouco populares na escola e precisam mudar essa situação. Na cabeça deles, entrar na faculdade sem ter uma razoável experiência sexual seria o fim. E a chance deles está numa das festas promovidas pelos alunos no final do curso. Eles acreditam que só conseguirão "traçar" alguma menina se ela estiver bêbada. O problema é que como eles ainda são menores de idade - e as meninas também -, eles não podem comprar bebida alcoólica. E quem consegue uma carteira falsa é o outro amigo deles, Fogell (o estreante Christopher Mintz-Plasse), o estereótipo perfeito de um
nerd. Ele consegue uma carteira de identidade falsa mas com o nome "McLovin", nome que é motivo de riso em diversas ocasiões, principalmente quando dito pelos dois policiais trapalhões (Seth Rogen e Bill Hader) que levam o menino para passear em sua viatura.

O legal do filme é que ele é autenticamente adolescente, já que a estória começou a ser escrita por Seth Rogen e Evan Goldberg - não por acaso o nome dos personagens - quando eles tinham treze anos de idade. Além do mais, os três jovens protagonistas do filme são mesmo adolescentes e não adultos se fingindo de adolescentes. Um fato curioso diz respeito aos desenhos de pênis que aparecem no filme. Soube que a MPAA (
Motion Picture Association of America, a companhia que dita a classificação indicativa dos filmes nos Estados Unidos) não achou de bom gosto aquilo, principalmente por ter uma cena de uma garotinha vendo e se assustando com um desenho de um pênis. Apesar da censura 16 anos que o filme pegou aqui - Rated R nos EUA - praticamente não há cenas de nudez, embora sexo seja o "Ponto G" de SUPERBAD. Nos EUA a censura pesou mais também por causa do excesso de palavrões, em especial aquela famosa palavrinha que começa pela letra "f". Para completar, tem cena de uma criança segurando um revólver com fascínio. Por isso, não deixa mesmo de ser uma classificação razoável. Censuras à parte, no fim das contas, SUPERBAD é mais um filme para meninos, que são os que mais riem nas sessões. Já as meninas, em sua maioria, devem achar o filme de uma grosseria sem tamanho.

Cotação:
Ailton Monteiro
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