SUPERMAN - O RETORNO (Superman Returns, EUA, 2006)
Gênero: Aventura, Ficção Científica
Duração: 154 min.
Elenco: Brandon Routh, Kevin Spacey, Kate Bosworth, James Marsden, Frank Langella, Sam Huntington, Eva Marie Saint, Parker Posey, Kal Penn, Stephan Bender, David Fabrizio, Peta Wilson
Compositor: John Ottman
Roteiristas: Michael Dougherty, Dan Harris, Bryan Singer
Diretor: Bryan Singer

Retorno triunfal

Depois de dois filmes ruins e muitos projetos abortados, o mais famoso super-herói da DC Comics volta ao cinema num ótimo filme de Bryan Singer

Superman nunca foi dos meus heróis favoritos. Sua invencibilidade, seu poder que parece não ter limites, tudo isso contribui para que ele não ganhe a simpatia de muita gente. Foi por isso que, quando a Marvel surgiu com seus heróis mais humanos e cheios de falhas, foi um grande sucesso. Sabendo disso, os roteiristas de SUPERMAN - O RETORNO (2006) procuraram trazer um Homem de Aço que tivesse suas falhas ou seus momentos de fraqueza. E eles acertaram em cheio. Talvez eu esteja exagerando um pouco, mas digo que o filme de Bryan Singer é a mais bem sucedida adaptação para o cinema de um personagem da DC Comics. Singer nos mostra um Superman que sofre de dor de cotovelo e que usa seus poderes para invadir a privacidade de Lois Lane, numa das melhores cenas do filme. Há também outros momentos mais sutis, como aquele em que Superman salva Lois e usa sua visão de raio-x para verificar se sua amada estava bem. Isso acontece com o marido de Lois do lado, que sabe que aquele alienígena de roupa colante azul poderia muito bem estar olhando para o corpo de Lois por baixo das roupas.

Claro que SUPERMAN - O RETORNO não terá o mesmo impacto do filme de Richard Donner, nem tem um décimo da quantidade das estrelas lá presentes. O maior astro do filme é Kevin Spacey, que faz um Lex Luthor mais malvado do que aquele de Gene Hackman. Se tem algum problema com o personagem de Spacey, ele está na falta de lógica de seus planos malévolos. Mas isso é perfeitamente coerente com o histórico do personagem e da própria DC, que sempre se caracterizou por ser bem mais maniqueísta que a sua maior concorrente. O seu plano para a destruição da humanidade me pareceu bem idiota. Mas são assim quase todos os planos dos vilões e, quanto à sua megalomania, não daria para fazer algo de menores proporções em se tratando de Superman. Ele é tão super-poderoso que é preciso algo gigantesco para que seja verdadeiramente um desafio para ele.

Quanto à nova Lois Lane, interpretada por Kate Bosworth, ela é bem mais bonita que a Margot Kidder. Assim, fica mais fácil de a gente se identificar com o Superman. Para um herói dotado de uma super-honestidade, cheguei a ficar surpreso com o fato de ele ter dado em cima de uma mulher casada. Alguns fãs dos quadrinhos do herói até reclamaram das ousadias do roteiro, principalmente com o fato de arranjarem um filho para Lois. Mas é melhor eu não falar muito sobre esse assunto, senão corro o risco de estragar um pouco as surpresas. E ainda não falei do ator que faz o Superman. Pois bem, claro que ele não chega a ser um Christopher Reeve, a maior encarnação do herói já surgida e que provavelmente jamais encontrará um concorrente à altura. Porém, Brandon Routh desempenha muito bem sua função.

Uma coisa que a gente percebe claramente vendo esse filme é o extremo respeito que Singer tem pelo personagem. Há uma seqüência do filme, que mostra fotos de Superman em ação, que é uma réplica exata da capa de Action Comics #1, a revista que trouxe a primeira aparição do herói, em 1938. O respeito pelo filme original de Richard Donner também é notado, a começar pelos créditos de abertura que utilizam a mesma formatação do filme de 1978, inclusive com o tema genial de John Williams.

Fico imaginando o que seria se o filme fosse dirigido por outros nomes que foram cotados anteriormente. No início, Tim Burton tinha um projeto chamado SUPERMAN LIVES e quem iria interpretar o herói era Nicolas Cage. Deveria ficar no mínimo ridículo, com Cage na pele do Homem de Aço. Brett Ratner foi o primeiro cineasta cotado para dirigir o atual filme, o engraçado é que nesse caso aconteceu uma espécie de troca: Singer ficou com o filme do Superman enquanto Ratner dirigiu o terceiro filme da franquia dos mutantes. McG também foi cotado para dirigir SUPERMAN - O RETORNO. Como eu sou fã dos dois filmes das Panteras, imagino que McG faria um bom trabalho, mas completamente distinto do filme de Singer, respeitoso e com um andamento que lembra muito o do filme de 1978, mais lento. Singer, inclusive, já foi escalado para dirigir a seqüência, prevista para estrear em 2009. Mas antes disso, o jovem cineasta vai dirigir duas produções de menor escala. Uma delas se chama THE MAJOR OF CASTRO STREET (2007), filme que conta a história de um homem famoso por sua luta pelos direitos dos homossexuais em São Francisco. Deve ser o filme que vai confirmar mais explicitamente a orientação sexual de Singer.

Cotação:
Ailton Monteiro
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