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Star Wars: Episódio III - A
VINGANÇA DOS SITH (Star Wars: Episode III - Revenge of the
Sith, EUA, 2005)
Gênero: Ficção Científica
Duração: 140 min.
Elenco: Ewan McGregor, Natalie Portman, Hayden Christensen, Ian
McDiarmid, Samuel L. Jackson, Jimmy Smits, Frank Oz, Anthony Daniels
Compositor: John
Williams
Roteirista: George Lucas
Diretor: George Lucas
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A Vingança de Lucas
O Episódio final (?) de STAR WARS,
produzido, escrito e dirigido por George Lucas, é um dos melhores capítulos da
saga que, há 28 anos, mudou a história do cinema
Em 1977, o cinema andava amargo,
contestatório. Não havia mais vilões e heróis, não havia o Bem e o Mal. Foi
então que George Lucas teve a coragem de lançar um filme maravilhosamente
maniqueísta e escapista, onde o mocinho se vestia de branco e o vilão,
obviamente, de negro. Com o conteúdo raso como um pires e efeitos visuais
inovadores para a época, STAR WARS EPISÓDIO IV: UMA NOVA ESPERANÇA trouxe de
volta às telas o cinema-diversão e estabeleceu o blockbuster no coração
de Hollywood. E, crianças, eu estava lá e assisti ao filme por duas sessões
seguidas. Portanto, acho que posso falar de STAR WARS com alguma autoridade.
Dezesseis anos se passaram entre o lançamento do último filme da trilogia
original de STAR WARS (EPISÓDIO VI: O RETORNO DE JEDI, 1983) e o primeiro da
nova (EPISÓDIO I: A AMEAÇA FANTASMA, 1999), e não vou me alongar sobre a reação
negativa de críticos e boa parte dos fãs. O que muitos pareciam não ter
percebido é que Lucas continuou fazendo o mesmo tipo de filme, só que as
platéias atuais já estavam acostumadas a efeitos mirabolantes e ao cinema
pipoca. Obviamente o EPISÓDIO I e parte do EPISÓDIO II: O ATAQUE DOS CLONES
(2002) sofriam de um certo infantilismo que já se manifestara em O RETORNO DE
JEDI. Mas também não eram as porcarias que muitos apregoavam.
Ao contrário da trilogia original, na qual Lucas em dois
episódios contou com a ajuda do talentoso roteirista (que depois
também virou diretor) Lawrence Kasdan e dos cineastas Irvin
Kershner e Richard Marquand, nestes três filmes recentes ele
decidiu assumir pessoalmente as funções de roteirista e
diretor. Portanto, não são descabidas as críticas
aos diálogos piegas, à direção frouxa dos
atores e à fixação de Lucas nos efeitos visuais e
em encher os filmes de alienígenas e criaturinhas de todo tipo
(aliás, perfeitas para vender brinquedos). Algumas destas falhas
são assumidas até pelo próprio diretor. E aos
trancos e barrancos finalmente chegamos a este EPISÓDIO III: A
VINGANÇA DOS SITH (2005), o capítulo essencial onde
testemunhamos a destruição dos Cavaleiros Jedis, da
democrática República e a transformação do
jovem Jedi Anakin Skywalker (Hayden Christensen) no mais célebre
vilão do cinema, Darth Vader.
Abro aqui um parêntese: a crítica de cinema da revista Veja gastou três páginas
para dizer que, fora O Império
Contra-Ataca, a série STAR WARS não se sustenta como cinema, e que os
méritos deste EPISÓDIO III são muito poucos para justificar o que nele foi
investido. Mas a maior pérola é ela dizer que STAR WARS é uma obra totalmente
dissociada do resto do cinema, um fruto de marketing que só é visto por
um público cativo de fãs, e mesmo entre eles os novos filmes são muito
criticados. E, para variar, também ela faz a comparação descabida da obra de
Lucas com a trilogia O SENHOR DOS ANÉIS, de Peter Jackson. Mas na mesma revista
a crítica é bem mais tolerante com um filme coreano no qual um maluco passa anos
trancado num quarto, sai dele e numa cena come um polvo vivo; e também com um
filme independente americano que tem seu ponto alto numa cena explícita onde o
protagonista (que também é o diretor) recebe sexo oral... sem dúvida filmes
edificantes e cheios de conteúdo, dignos dos elogios da crítica e que serão
vistos várias vezes... por meia dúzia de espectadores. Mas isso não importa,
afinal esses filmes são cinema, STAR WARS não... fecha parêntese.
Convenhamos, se os filmes de Lucas fossem tão ruins assim, não haveria
marketing capaz de continuar a levar milhões de "masoquistas" aos cinemas.
Certo, A VINGANÇA DOS SITH continua sendo um típico filme de Lucas: nele temos
diálogos piegas, atuações por vezes caricatas - excetuando-se, claro, Ian
McDiarmid (Palpatine) e Ewan McGregor, que faz um soberbo Obi-Wan Kenobi -
muitas criaturas e robôs exóticos e efeitos especiais numa profusão inédita. Mas
também é um típico filme de STAR WARS, e digo isto no sentido positivo. Lucas
mostrou ter absorvido boa parte das críticas e realizou um filme no qual os
acertos superam em muito os deslizes. E se já esperava um capítulo mais sombrio
e dramático, o cineasta foi além e surpreendeu. Aposto que ninguém imaginaria
ver na tela cadáveres de crianças, ou mesmo uma descrição tão gráfica do destino
de Anakin. Pois vemos isso, entre outras coisas. Finalmente, temos aqui o filme
mais adulto, sério e empolgante que os fãs exigiam, que nos EUA recebeu a
classificação PG-13.
Em sua primeira metade, A VINGANÇA DOS SITH não difere muito dos filmes que lhe
imediatamente antecederam. Mas nela já se nota uma trama mais sólida e focada,
que não perde muito tempo com acessórios: desta vez, o principal é a história,
que tem como força motriz não Anakin, mas sim o Chanceler Palpatine e sua busca
pelo poder. No início de sua segunda metade, o filme conquista corações e mentes
e, até por saber de antemão praticamente tudo o que acontecerá, o espectador
sente-se como uma testemunha da história. E também testemunha como Lucas, ao som
de uma magistral trilha de John
Williams que mescla composições novas com temas já conhecidos, soube
belamente amarrar quase todas as pontas soltas e direcionar a saga não para um
fim, mas para o início da trilogia original.
Contudo, o que mais me fascinou no filme foi ele se afastar do maniqueísmo que
sempre caracterizou a franquia e tratar, basicamente, da zona cinzenta que fica
entre a luz e as trevas, como o comportamento ambíguo dos Jedis ao tramarem um
golpe de Estado; de como aliados tornam-se, repentinamente e numa reviravolta do
destino, em inimigos traiçoeiros; de como heróis tornam-se vilões. STAR WARS
EPISÓDIO III: A VINGANÇA DOS SITH (pelo menos é o que Lucas diz) completa a
história da família Skywalker, é o melhor da série ao lado de O IMPÉRIO
CONTRA-ATACA e dá a ela a consistência e coerência que lhe era cobrada. A partir
de agora, ela pode ser julgada por inteiro e, com justiça, ser classificada como
uma das maiores sagas do cinema. Mesmo que alguns ainda insistam em dizer que
STAR WARS não é cinema.
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