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Um Estúdio na Terra Média
Tão interessante quanto conhecer algumas locações da trilogia O Senhor dos Anéis na Nova Zelândia, foi visitar os estúdios em que o áudio dos filmes foi finalizado. Em minha recente viagem ao país que serviu de cenário para a Terra Média de Tolkien, tive a feliz oportunidade de conhecer o Park Road Post, a mega-companhia de pós produção de áudio e vídeo de Peter Jackson, diretor da celebrada trilogia. O diretor investiu e ainda está investindo pesado em sua infra-estrutura de pós produção em Wellington, capital de seu país natal. Um enorme terreno de subúrbio abriga o prédio de um dos maiores estúdios de mixagem de áudio para cinema do mundo, ainda em fase de acabamento. Além do departamento de vídeo, que dispõe de equipamentos de telecine e tratamento digital de imagem, a parte mais impressionante das dependências do Park Road é a área de áudio. Primeiro há um lounge para clientes, com equipamentos de escritório e sala para reuniões e apresentações. Depois, são nove salas pequenas para edição e algumas salas maiores para gravação de foley e dublagem (ADR). Finalmente, o grande destaque da produtora fica por conta das salas de mixagem: uma sala pequena e duas enormes salas de cinema com telas gigantes, equipadas com sofisticadas mesas digitais Euphonix que controlam gravadores de áudio em HD e sistemas Pro Tools HD, com processadores de efeitos, conversores e sistemas de sincronismo dos mais avançados disponíveis no planeta. Tudo meticulosamente conectado e cinematograficamente decorado, sob a supervisão paternal do próprio Peter Jackson. A proposta do Park Road Post é ser um estúdio feito por um cineasta, para cineastas. Jackson construiu seu parque de diversões para finalizar seus filmes e também para vender os serviços de pós-produção para outros cineastas e produtores que queiram arrastar seus dólares para a região do Pacífico Sul. Para isso, o diretor conta com a vantagem cambial, além de incentivos do próprio governo da Nova Zelândia para atrair investimentos estrangeiros para o país. O estrondoso sucesso da produção de O Senhor dos Anéis chacoalhou a indústria cinematográfica local, mexeu até com a economia do país e fez a capital ganhar o apelido de “Welliwood”. Os três filmes foram inteiramente rodados nas paisagens magníficas da Nova Zelândia, mas na realidade apenas o terceiro filme, O Retorno do Rei, teve seu áudio totalmente finalizado neste estúdio. No dia da minha visita (23/11/04), a fachada do prédio ainda era um canteiro de obras. Tive que desviar dos tratores e operários que trabalhavam na entrada principal. John Neill, o simpático gerente de áudio do Park Road Post, me contou que eles já estavam trabalhando em alguns trechos da nova superprodução de Peter Jackson, King Kong. Eu não sou do tipo maníaco obsessivo, mas sou grande fã de O Senhor dos Anéis, da música de Howard Shore, da história de Tolkien, da impecável produção de som e imagem, das espetaculares paisagens dos filmes. Assim, embora minha visita tivesse motivação profissional, confesso que eu me senti um pouco “tiete” ao conhecer os bastidores de um lugar em que todo aquele fantástico universo ganhara vida. Tony Berchmans |