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As Trilhas de Cinema
Desde o lançamento do site ScoreTrack.Net, era nossa intenção
comentarmos o maior número possível de CDs de Jornada
nas Estrelas/Star Trek. Porém, há tanto material composto para
a TV e o cinema, e lançado em Compact Disc, que resolvemos
tratar neste artigo apenas dos scores compostos para os filmes de cinema. Infelizmente,
desde a popularização do CD, à exceção
de uma coletânea organizada por Cliff Eidelman (The Astral Symphony) e da
trilha de Insurrection, a maior parte destes discos não foi lançada no Brasil.
Considerável parte da música
de Star Trek foi lançada por Neil Norman e Mark Banning
através de sua gravadora,
GNP
Crescendo Records. Para conferir a disponibilidade e preços
dos títulos, bem como outros CDs de séries de ficção
científica (de Irwin Allen, por exemplo), consulte regularmente
seu catálogo online. No caso da GNP e da Varèse Sarabande, que não
possuem subsidiárias
ou contratos de distribuição no exterior, ainda se justifica
a inexistência de lançamentos regulares por aqui. Mas e quanto às
gravadoras Sony e MCA, que possuem alguns destes títulos em catálogo,
porque não lançá-los no Brasil? Trekker verde-amarelo
sofre... Mas vamos passar às trilhas:





Jornada nas Estrelas VI: A Terra Desconhecida (Cliff
Eidelman, 1991, MCA) - Em 1981, quando o orçamento apertado de Wrath
of Khan não permitiu a contratação de Jerry Goldsmith
para compor a trilha, Nicholas Meyer resolveu apostar em um compositor
desconhecido, James Horner. O resto é história. Dez anos
depois, quando Meyer retornou à franchise para dirigir The
Undiscovered Country, lhe veio à mente a suíte
de Gustav Holst "Os Planetas", que já servira de inspiração
a muitas trilhas de ficção-científica. Com Holst na cabeça,
o diretor resolveu arriscar
mais uma vez, dando uma chance ao novato e praticamente desconhecido Cliff Eidelman.
O jovem compositor, além de Holst, também deu à música um toque de
Stravinsky ("O Pássaro de Fogo"), e como resultado, recebemos a trilha mais sombria de
Star
Trek, e uma das melhores de toda a série (do mesmo modo que
o filme em si). Desde a abertura, a música é acompanhada
por um sinistro coral masculino, que ao longo do filme ajuda a aprofundar
o clima de mistério e conspiração. O ameaçador
e urgente tema de seis notas, que representa os Klingons (e a Ave de Rapina,
capaz de disparar mesmo estando invisível), é muito eficaz, pois
toda as vezes em que as seis notas iniciam seu ciclo, sabemos que os vilões
estão ocultos, por perto. Aliás, o tema Klingon de Eidelman
rompe totalmente com o padrão Goldsmith, e ainda assim encaixa-se
perfeitamente na trama. Quando a Enterprise "solta as amarras", o
som é exuberante e melódico (como normalmente é, em
todas as cenas da série em que a nave sai das docas). A fuga do
mundo-prisão Klingon é musicada de forma muito dramática,
notadamente durante as tomadas aéreas filmadas nas geleiras.
A música para a cena da batalha, já no final do filme, quando a Enterprise e a
Excelsior destróem a Ave de Rapina de Chang, é continuamente
impressionante. Aliás,
talvez
o melhor momento do filme seja quando Kirk cerra seu punho e finalmente ordena "Fogo"
(quem não adora essa cena?) e a Ave de Rapina explode em pedacinhos
(imagem reutilizada sem escrúpulos em Star Trek: Generations),
acompanhada pela trilha sonora exuberante.
Nos créditos finais, todos os grandes temas da trilha são
perfeitamente combinados. Definitivamente, um trabalho que merece um maior
reconhecimento não apenas entre as trilhas Trek, mas entre as trilhas
sonoras de um modo geral.
Jornada nas Estrelas: A Nova Geração (Dennis
McCarthy, 1994, GNP) - Espremido
entre Star Trek VI e First Contact, este score
ficou perdido na transitoriedade entre os filmes com o elenco da série
clássica e os da nova geração. Foi a primeira (e a
última, até agora) tentativa dos produtores de usar um compositor
das séries de TV ao invés de um compositor eminentemente
cinematográfico. O resultado é uma trilha que possui todos
os elementos de um score Trek (desculpem o trocadilho...) - uma
grande orquestra, a fanfarra do tema televisivo de Alexander Courage, e um coral completo
- mas ao mesmo tempo, mantém suas raízes na TV. A música
escrita rapidamente para os episódios da Next Generation
obedecia a certas regras ditadas pelos produtores (que incluíam
limitação temática e ênfase em ambientação,
no lugar de faixas individuais marcantes). A música de Star Trek:
Generations, em que pese sua maior variedade harmônica e temática, soa mais como uma trilha de televisão expandida
do que uma obra feita para o cinema. Este é o sentimento que persiste, mesmo considerando
que McCarthy empregou uma orquestra de 95 instrumentos e um coral.
A música para os créditos iniciais é baixa e quase
sem melodia, um contraste enorme com as barulhentas fanfarras que abençoaram
as aberturas dos outros filmes. O final da faixa, contudo, apresenta um
dos pontos altos deste trabalho. Enquanto a garrafa de champanhe se
quebra no casco da recém-lançada Enterprise-B, McCarthy apresenta
uma das mais provocantes versões do tema original de Courage. Outros bons
momentos musicais são o emotivo encontro de Picard com a família que ele nunca
teve, no interior do Nexus, e o final, quando a partitura empurra as naves da Federação
para a velocidade de dobra.
Jornada nas Estrelas: Primeiro Contato (Jerry
Goldsmith & Joel Goldsmith, 1996, GNP) - Este CD da GNP Crescendo
foi
muito aguardado, em virtude do grande sucesso do filme (e da música
nele ouvida) e também por causa de sua porção multimídia.
Após experiências com outros compositores nas produções
anteriores, o veterano Jerry Goldsmith, dividindo os créditos com
seu filho Joel, retornou à série com seus temas característicos.
O tema de First Contact é lento, belo e sombrio,
algo novo na série, a pedido do diretor estreante Jonathan Frakes.
Seu uso no final - quando os Vulcanos pousam na Terra - é fabuloso.
O uso do tema Klingon nas aparições de Worf agradou em cheio
aos entusiastas da música Trek. Nos créditos finais, Goldsmith
retorna ao tema de Star Trek V, combinando a fanfarra de Courage
com o tema de Star Trek: The Motion Picture,
antes de passar aos temas de First Contact. Também há
faixas metálicas e ameaçadoras para os invasores Borg, algumas compostas
por Joel Goldsmith. E é ele quem sai prejudicado na edição
em CD, já que uma grande parte da música de Joel simplesmente
ficou de fora do álbum. A perda maior é a faixa que acompanha
toda a seqüência do vôo da espaçonave Phoenix,
quase ao final do filme e que inclui o confronto entre Picard e a Rainha
Borg. Simplesmente, e inexplicavelmente, um dos melhores momentos do score
não está no disco! Em troca, foram incluídos dois
rocks clássicos, um do Steppenwolf e outro de Roy Orbison, que são
facilmente disponíveis em CD. A grande música perdida de
Joel Goldsmith, infelizmente, vai ter de esperar por uma futura (e improvável)
reedição expandida da trilha.
Jornada nas Estrelas: Insurreição (Jerry
Goldsmith, 1998, GNP) - Este nono exemplar da série marcou mais um trabalho
de Jerry
Goldsmith, o mais prolífico compositor de Jornada nas Estrelas,
autor das trilhas de Star Trek: The Motion Picture, Star Trek V: The Final Frontier, Star Trek: First Contact, Insurrection,
o novo Nemesis e os temas das séries de TV Star Trek: The Next Generation
e Star Trek: Voyager. Neste trabalho, o afetuoso tema de abertura é
uma espécie de canção de ninar, representando o povo
B´aku, e dá o tom da partitura, em linhas gerais mais romântica
que as outras escritas pelo compositor para a franchise (de modo a
refletir
o interesse romântico de Picard e a paisagem idílica do planeta). Goldsmith utiliza seu
conhecido tema nos títulos finais de Insurrection, novamente em
conjunção com o tema original da série clássica composto por
Alexander Courage (que já há algum tempo trabalha em parceria
com Goldsmitn, na orquestração das trilhas). A versão
em CD, outro lançamento da GNP Crescendo, é mais curta
que a de First Contact, e não possui seção
multimídia.
Mesmo tendo méritos, é o trabalho mais fraco de Goldsmith
para a série, e em nossa avaliação acabou empatando
com The Search for Spock, de James Horner.
Nêmesis
(Jerry
Goldsmith, 2002, Varèse Sarabande) -
Divulgado desde o início de sua produção como a jornada final da Nova
Geração, este décimo longa-metragem
pode marcar a última da franquia, graças a seu fracasso
de público e crítica. E mesmo que haja outras, acredito
que com este trabalho
Goldsmith despediu-se de Jornada nas Estrelas nos deixando com saudades de
outras partituras suas indiscutivelmente bem melhores que esta.
Porque A característica maior deste score,
ambiental e sombrio, é basear-se na reutilização pouco inspirada de temas dos filmes da
série para os quais o maestro já colaborou. Há o agravante de não ter sido criado
nenhum tema novo de destaque, fato que não
ocorreu nem mesmo no medíocre Insurreição. A faixa de abertura inicia com a conhecida fanfarra
de Alexander
Courage (em uma interpretação mais intensa), seguida de um motivo de caráter militar,
percussivo e ameaçador,
mas que dificilmente marcará o ouvinte.
Assim como o tema klingon de O Filme foi usado anteriormente
pelo compositor como o tema de Worf, ele agora utiliza o tema de A Fronteira
Final ouvido pela primeira vez em “The Barrier” (e melhor desenvolvido em
“A Busy Man”), como tema do andróide Data e de sua réplica, B-4. De fato
este tema já havia aparecido, em menor escala, em Primeiro Contato e Insurreição. Em “Ideals” temos o que mais se
aproxima do tema principal do score, uma atraente e nostálgica melodia
derivada do tema ouvido nos “main titles”.
As coisas
começam a ficar mais movimentadas a partir da metade do CD.
Considerada por muitos o ponto
alto do score, “The Scorpion” lembra em seu início O Vingador do Futuro,
onde a orquestra fornece uma
interpretação vigorosa, e ao final o conhecido tema de O Filme faz uma rara (e eficaz) aparição fora dos “End Titles”.
“Final Flight”, a composição de
maior apelo dramático, é ouvida no passeio espacial de Data e durante o
confronto final entre o capitão Picard e o vilão Shinzon. A trilha conclui com “A New
Ending”, onde após ouvirmos trechos de “Blue Skies”, de
Irving Berlin, temos a fanfarra de Courage e o tema de Goldsmith
para O
Filme em versões mais lentas e, porque não dizer, épicas.
Após, volta o motivo ouvido primeiramente em “Ideals”, que por ser uma melodia
triste resulta em um encerramento pouco memorável para a partitura. Mas que,
apesar dos pesares, ainda consegue sair-se melhor, em nossa
avaliação, que a de Insurreição. É a primeira trilha sonora de
Jornada nas Estrelas também disponível no novo formato SACD (Super Audio
CD).
Confira, então, o ranking das trilhas de Jornada nas Estrelas:
***** - Ótima
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