TRISTÃO & ISOLDA (Tristan + Isolde, EUA, 2006)
Gênero: Romance
Duração: 125 min.
Elenco: James Franco, Sophia Myles, Rufus Sewell, David O'Hara, Mark Strong, Henry Cavill, Bronagh Gallagher, Ronan Vibert, Lucy Russell, JB Blanc, Graham Mullins, Leo Gregory
Compositor: Anne Dudley
Roteiristas: Dean Georgaris
Diretor: Kevin Reynolds

Sem sangue ou emoção

Nova versão deste romance épico é um filme frio, onde brilha apenas a beleza da atriz Sophia Myles

Meu primeiro contato com a história de Tristão e Isolda foi através da mini-série em quadrinhos CAMELOT 3000. Nos quadrinhos, o roteirista Mike Barr torna difícil a relação entre os dois amantes, ao fazer com que ambos reencarnem em corpos femininos. Em algumas histórias envolvendo o casal, Tristão é apresentado como um dos cavaleiros do Rei Arthur. Não é o caso de TRISTÃO & ISOLDA (2006), filme dirigido por Kevin Reynolds. Em compensação aqui temos um triângulo amoroso envolvendo Tristão, Isolda e o Rei Marke, semelhante ao famoso triângulo Arthur-Guinevere-Lancelot. A história do casal também lembra a tragédia de Romeu e Julieta, já que os dois vêm de países inimigos (ingleses e irlandeses).

James Franco e Sophia Myles foram os escolhidos para viverem os personagens-título neste filme que peca pela frieza, um problema sério em se tratando de uma história arrebatadora de amor e violência. Provavelmente, o problema está na direção pouco inspirada de Reynolds, diretor do massacrado WATERWORLD (1995). O outro problema é a interpretação ruim de James Franco. Por outro lado, a presença de cena e a beleza reluzente de Sophia Myles justificam a ida ao cinema. Quem gostou dela já pode ficar de olho: a moça poderá ser vista no novo filme de Terry Zwigoff, ART SCHOOL CONFIDENTIAL. Sophia tem um aspecto angelical, como a Emilie de Ravin, de LOST.

Acredito que, hoje em dia, os filmes de época que trazem cenas de batalha não podem se dar ao luxo de abdicar das cenas de violência. Um dos méritos de CORAÇÃO VALENTE, de Mel Gibson, era justamente o de mostrar as batalhas agressivas e sangrentas. Reynolds optou por um registro mais tradicional, à moda antiga, o que seria até perdoável. Mas se o diretor não tem competência para elaborar um filme delicado, sutil e com pouca violência nos dias de hoje - como Terrence Malick fez em O NOVO MUNDO, outra história de amor impossível -, talvez apelar para os excessos fosse uma boa saída. Agora é tarde.

Cotação:
Ailton Monteiro
FILME EM DESTAQUE