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TRÓIA (Troy,
EUA, 2004)
Gênero: Aventura
Duração: 165 min.
Elenco: Brad Pitt, Julian Glover, Brian Cox, Eric Bana, Orlando
Bloom, Sean Bean, Diane Kruger, Brendan Gleeson, Julie Christie, Peter
O'Toole, Saffron Burrows
Compositor: James
Horner
Roteirista: David Benioff
Diretor: Wolfgang Petersen
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Troy Reloaded
Descontadas as liberdades, o filme do
diretor Wofgang Petersen é a melhor versão da obra de Homero já levada às telas
Confesso que, quando
ouvi falar do projeto de TRÓIA, não esperei grande coisa de mais esta adaptação
da clássica obra de Homero, A Ilíada. Conheço bem os crimes que Hollywood
já cometeu em situações análogas anteriores, e a mania de seus executivos em
adaptarem o tema ao gosto das platéias contemporâneas (esses caras nunca
aprendem). Por sorte TRÓIA contou com a direção competente do alemão Wolfgang
Petersen (O BARCO), que apesar de alguns “modernismos” de estilo e concessões
comerciais, conseguiu criar o que pode, com justiça, ser chamado de um épico.
Petersen optou por fazer seu filme com base mais na realidade do que na
mitologia grega, tarefa dificílima uma vez que a maior fonte das informações que
temos sobre a Guerra de Tróia é exatamente o poema de Homero, obviamente uma
peça de literatura romanceada e recheada de deuses da mitologia grega. Caso ele
optasse por fazer uma versão mais fiel, teríamos um filme completamente
diferente, uma fantasia épica no estilo de O SENHOR DOS ANÉIS ou a clássicos de
Ray Harryhausen como JASÃO E O
VELO DE OURO.
O diretor podou por completo a intervenção dos deuses do Olimpo na trama,
relegando-os à condição de crenças religiosas. Por exemplo a mãe de Aquiles, que
na obra literária é uma deusa, até aparece no filme interpretada por Julie
Christie, mas na condição de uma simples mortal. Adicionalmente, foram mudados
fatos tido como históricos, como a duração da guerra: o cerco a Tróia, segundo
Homero, durou dez anos, mas no filme temos a impressão de que se passaram apenas
alguns dias. Além disso, o destino de Páris e Helena é modificado, tudo isso
provavelmente para “adaptar o tema ao gosto das platéias contemporâneas.” Que
coisa...
Outra concessão, esta certamente de grande apelo comercial, foi a escolha de
Brad Pitt para interpretar o relutante guerreiro Aquiles que, no intervalo das
batalhas onde derrota seus oponentes com movimentos saltitantes, mostra às
câmeras seu escultural traseiro enquanto faz amor com alguma beldade grega. E
também há a polêmica da partitura musical de Gabriel Yared, rejeitada em favor
de uma trilha original mais consumível de
James Horner, com direito a
vocalizações femininas à la GLADIADOR e àquela seqüência de quatro notas, que o
compositor utiliza em praticamente todas as suas obras desde JORNADA NAS
ESTRELAS II (detalhe: sem qualquer comparação com a música de Yared, que pode
ser ouvida no site do compositor, gostei da trilha que Horner criou em
apenas duas semanas!).
Mesmo com estas liberdades, Petersen entregou uma boa versão da clássica
história de Helena (Diane Kruger), esposa do Rei Menelau (Brendan Gleeson) e
tida como a mulher mais bela de todos os tempos, que feliz da vida é raptada
pelo jovem príncipe Páris de Tróia (Orlando Bloom), cidade império cujas
muralhas são consideradas inexpugnáveis. Com a ajuda de seu irmão, o Rei
Agamenon (Brian Cox), Menelau reúne a maior frota da história da Grécia e lança
um ataque maciço contra Tróia. Porém, mesmo contando com guerreiros como o
invencível Aquiles e o Rei de Ítaca, Ulisses (Sean Bean), os gregos não
conseguem penetrar nas muralhas de Tróia. Até que Ulisses vê um dos seus
soldados esculpindo um cavalo de madeira de brinquedo...
TRÓIA possui exuberantes cenas de batalhas, que ao contrário dos filmes de O
SENHOR DOS ANÉIS, utilizam locações reais, o que dá maior veracidade às
seqüências. Apesar de suas quase três horas de projeção o filme não cansa,
graças à perícia de Petersen em bem dosar as cenas de ação com os diálogos,
sempre interessantes. É uma pena que haja tantos personagens, o que faz com que
muitos não tenham tido chance ou tempo de serem aprofundados, como Ulisses.
Também achei que Helena, o elemento catalisador do conflito, não teve o destaque
que devia, limitando-se quase a ser uma figura decorativa no filme (aliás que
decoração, a atriz é mesmo belíssima). Por outro lado Príamo, o Rei de Tróia,
propiciou que o veterano Peter O´Toole nos desse alguns dos melhores momentos do
filme, como aquele no qual o monarca humilha-se para solicitar a Aquiles a
devolução do corpo do seu filho.
Brad Pitt até que não se sai mal como Aquiles (até acho que este é o seu melhor
desempenho fora de um filme de David Fincher), mas quem rouba a cena é mesmo
Eric Bana, ator em ascenção cujos principais créditos anteriores foram FALCÃO
NEGRO EM PERIGO e HULK. Ele dá
ao seu personagem, o príncipe troiano Heitor, irmão de Paris, a dimensão que
Brad Pitt tentou mas não conseguiu imprimir a Aquiles. E no combate entre os
dois o público é levado a torcer por Heitor, mesmo sabendo de antemão o desfecho
do confronto. Já a sólida atuação de Bana é um contraste e tanto com a
interpretação medíocre de Orlando Bloom como Páris, sem dúvida o casting
mais equivocado da produção.
Enfim, o saldo final de TRÓIA é positivo. A eliminação dos deuses abriu espaço
às motivações essencialmente humanas da trama, que inteligentemente evita
maniqueísmos ao não atribuir as funções de heróis e vilões a ninguém (com a
exceção, talvez do arrogante Agamenom). Mas não podemos esquecer que estamos
frente a um superespetáculo de Hollywood, com direito à grandiosidade e defeitos
típicos destas produções. Provavelmente o filme de Wolfgang Petersen não irá
desbancar BEN-HUR e SPARTACUS da condição de maiores clássicos do gênero, por
outro lado ele não faz feio diante de outro exemplar recente, GLADIADOR. Isso,
mais o fato de ser a melhor versão da obra de Homero já levada às telas, não é
pouco. Se fizerem uma nova versão da Odisséia nestes moldes, me dou por
satisfeito.
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