V DE VINÇANÇA (V for Vendetta, EUA, Alemanha, 2005)
Gênero: Aventura
Duração: 132 min.
Elenco: Natalie Portman, Hugo Weaving, Stephen Rea, John Hurt, Roger Allam, Clive Ashborn, Sinéad Cusack, Nicolas de Pruyssenaere
Compositor: Dario Marianelli
Roteiristas: Andy Wachowski, Larry Wachowski, Alan Moore
Diretor: James McTeigue

Críticas não matam idéias

"O povo não deveria ter medo do seu governo. O governo é que deveria ter medo do seu povo." (V)


 

Jorge Saldanha
Cotação:


Minha lembrança de "V de Vingança", a HQ de Alan Moore e David Lloyd, não é muito viva. Já faz mais de quinze anos que eu tomei contato com essa e outras obras de Moore através de um amigo dos tempos do ensino médio – foi ele quem me apresentou belezuras como "Watchmen" e "A Piada Mortal", só para citar os Moores. Acho que "V de Vingança" foi uma das obras do escritor que eu menos gostei, mas gostaria muito de reler. Agora que a Panini está republicando em encadernação única a obra, vou ter a chance de reavaliar.

Quanto a V DE VINGANÇA (2005), de James McTeague, trata-se de um belo filme. Elegante, com um texto subversivo e uma heroína de dar gosto. Interessante como a presença de uma bela mulher contribui para que vejamos um filme com bons olhos. Mas não diria que o mérito do filme está apenas na beleza e no carisma de Natalie Portman. V DE VINGANÇA se diferencia dos outros blockbusters que a gente está acostumado a ver nos cinemas, por não rechear o filme com cenas de ação à Michael Bay ou efeitos especiais desnecessários. Os efeitos visuais mais visíveis são poucos e usados a seu favor, como nas cenas em que V corta a garganta de seus inimigos ou naquela bela cena da chuva com a Natalie Portman olhando para cima.

A controvérsia toda está no fato de o herói do filme (V, interpretado por Hugo Weaving, de máscara o tempo todo) guardar semelhança com um terrorista. Sua missão é se vingar dos chefões do governo totalitário que mata homossexuais ou pessoas com credos diferentes (o alcorão é livro proibido). Depois de conseguir entrar em rede nacional, ao invadir uma rede de televisão, ele promete que em um ano, no dia 5 de novembro, explodirá o Parlamento inglês. Sua intenção é destruir o símbolo do atual governo e, dentro desse período de um ano, convencer a população da Inglaterra a aceitar a sua causa. O filme é narrado pelo ponto de vista de Evey (Natalie), mas vez ou outra também acompanhamos as investigações do policial vivido por Stephen Rea, o ator fetiche de Neil Jordan.

Apesar de o filme se passar na Inglaterra, é praticamente impossível não pensar no atual governo de George Bush, nos EUA pós-11 de setembro e ver o filme como uma provocação. Mas acredito que um filme que convida à reflexão é sempre bem vindo. Outra curiosidade é que V DE VINGANÇA mostra a população inteira da Inglaterra dependente da televisão. Parece que as pessoas não fazem outra coisa na vida.

Provavelmente, quando eu reler a obra de Alan Moore, o filme vai ficar bem pequenininho, a exemplo do que ocorreu com DO INFERNO (2001). Mas independente da comparação com os quadrinhos, V DE VINGANÇA é uma experiência das mais agradáveis.

Ailton Monteiro
Cotação:

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