VAN HELSING - O CAÇADOR DE MONSTROS (Van Helsing, EUA, 2004)
Gênero: Terror, Aventura
Duração: 145 min.
Elenco: Hugh Jackman, Kate Beckinsale, Richard Roxburgh, David Wenham, Shuler Hensley, Elena Anaya, Will Kemp, Kevin J. O'Connor
Compositor: Alan Silvestri 
Roteirista: Stephen Sommers 
Diretor: Stephen Sommers

Extravagância digital

Filme que traz de volta os clássicos monstros da Universal não passa de uma colagem de cenas de ação exageradas criadas em computador

O primeiro filme-pipoca do verão norte-americano que chegou às telas (em lançamento mundial), é mais uma produção que investe na tendência de reciclar antigos monstros do cinema. Para o projeto da Universal de trazer de volta os tradicionais Drácula, Lobisomem e a Criatura de Frankenstein, o estúdio mais uma vez recorreu a Stephen Sommers - que já cumprira esta missão com sucesso em A MÚMIA (1999), para escrever e dirigir este VAN HELSING - O CAÇADOR DE MONSTROS. 
 
Sommers atraiu a atenção pela primeira vez com TENTÁCULOS (1998), um divertido filme B de boa produção onde um transatlântico é infestado por monstros marinhos. Este filme levou a Universal a contratá-lo para reinventar a Múmia, e o resultado foi uma ótima aventura com efeitos especiais primorosos e bem dosados, onde o terror foi relegado a segundo plano. Já em O RETORNO DA MÚMIA (2001), a receita desandou. Sommers, deslumbrado com os efeitos em CGI, exagerou com imagens de computação gráfica mal finalizadas.
 
Parece que o problema de Sommers é, mesmo, ter dinheiro demais à sua disposição. Seu roteiro para VAN HELSING, confuso e aparentemente escrito às pressas, cria justificativas bem bobas para juntar os três monstros - todos em versões high tech e caricatas. A introdução do filme até que é promissora: toda a seqüência inicial, em preto e branco, é uma bonita homenagem aos clássicos de horror. Porém, a partir do confronto de Van Helsing (Hugh Jackman) contra o Mr. Hyde digital, caros e inconvincentes efeitos de computação gráfica passam a dominar a tela.

Van Helsing, na visão de Sommers, é bem diferente da concepção original de Bram Stoker: trata-se de um jovem caçador de criaturas malignas a serviço do Vaticano, ele mesmo um ser sobrenatural que possui centenas de anos de idade. Sommers não se dá ao trabalho de explicar direito a origem do personagem, e muito menos o porquê de ter mudado seu primeiro nome: antes Abraham, agora se chama Gabriel. O herói chega à Transilvânia com o frade Carl (David Wenham), uma espécie de "Q" que cria suas armas e geringonças, para caçar o Conde Drácula (Richard Roxburgh, em atuação afetada e desde já o principal candidato a pior Drácula da história). O Monstro de Frankenstein também deve ser destruído, já que ele é a chave para que Drácula possa dar vida às milhares de crias que teve com suas três noivas. Depois de matar uma das noivas do Conde, Van Helsing se alia à princesa Anna (Kate Beckinsale, que ironicamente em UNDERWORLD interpretava uma vampira), cujo irmão é um lobisomem a serviço de Drácula.

A esta altura fica mais do que perceptível que os personagens recitam seus diálogos de forma apressada, a fim de que não haja perda de tempo para que se inicie mais um confronto com as criaturas digitais. As poucas tentativas de criar um clima mais sombrio ou de suspense são logo detonadas pela aparição bombástica de algum monstro CGI. Sommers, conscientemente ou não, abdicou da direção e deixou o filme a cargo dos técnicos da ILM de George Lucas, que criaram no computador cenas de ação histéricas, exageradas e artificiais. Imaginem as seqüências finais de O RETORNO DA MÚMIA, com o Escorpião Rei e aquela pirâmide implodindo, ou James Bond surfando a onda gigantesca em 007 - Um Novo Dia para Morrer, ou ainda o anabolizado monstro digital do final de A Liga Extraordinária, e terão idéia do que é VAN HELSING na maior parte do tempo. 

No meio do caos digital de VAN HELSING salva-se pouca coisa: Hugh Jackman, no seu primeiro solo em um filme de ação, consegue sair ileso do fiasco; Kate Beckinsale, apesar de passar o filme todo apanhando, faz um bom par para Jackman; David Wenham (o Faramir de O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei) está ok como Carl, o alívio cômico do filme; e a massiva trilha sonora de Alan Silvestri, apesar de acentuar o exagero do que vemos na tela, é o melhor trabalho do compositor nos últimos anos. Mas não tenho dúvida de que, se tivessem tirado uns 20 milhões de dólares de Sommers e cortado pelo menos meia hora de projeção, teríamos um filme melhor.

VAN HELSING serve apenas para provar que nunca mais veremos no cinema monstros como aqueles que foram encarnados, de forma magistral (e somente com auxílio de maquiagem), por Bela Lugosi, Boris Karloff, Lon Chaney, Jr. e Christopher Lee.

Cotação:
Jorge Saldanha
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