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Autor de uma variedade musical invejável
e reconhecida mundialmente, Franz Wachsmann, ou como é mais conhecido,
Franz Waxman, viveu quase toda sua vida como compositor, condutor e
empresário. Ele nasceu em Konigshutte, Upper Silésia, Alemanha, em 24 de
dezembro de 1906, e foi o mais novo de seis filhos. Ninguém na familia
era músico, exceto Franz, que começou a aprender piano com a idade de 7
anos. Seu pai foi um industrial e não acreditava que seu filho poderia
ganhar a vida com a música, encorajando-o a uma carreira bancária. Ele
trabalhou dois anos e meio como caixa e usou seu salário para pagar as
suas lições de piano, harmonia e composição. Então, saiu do banco onde
trabalhava e mudou-se para Dresden, e depois para Berlin para estudar
música. Durante este período ele pagou por sua educação musical tocando
piano em nightclubs e com os Weintraub Syncopaters, uma banda de
jazz popular dos anos 20, da qual fez parte como pianista.
Enquanto estava na banda ele começou a fazer seus arranjos, e suas
orquestrações para alguns antigos filmes musicais da Alemanha.
Frederick Hollander, que escreveu algumas musicas para os Weintraubs,
deu a Waxman a sua assinatura para o seu primeiro filme importante:
orquestrar e conduzir o score de Hollander para o clássico filme
de Josef von Sternberg, The Blue Angel (1930). O produtor deste
filme, Erich Pommer, que foi também o lider dos estúdios UFA em Berlin,
graças a essa orquestração, convidou Waxman a fazer o score que
representa sua primeira grande composição: a versão de Fritz Lang de
Liliom (1933) que foi filmado em Paris depois de seu êxodo da
Alemanha. A próxima realização de Pommer, Music in the Air, de
Jerome Kern (Fox Filmes, 1934), levou-o para os Estados Unidos, e com
ele estava Waxman para arranjar a música, e logo ficou responsável pela
direção musical para a Festa de Natal de Hollywood. Esta foi uma boa
justificativa para se livrar do domínio de uma Alemanha tomada pelo
terrorismo dos Nazistas, justamente na época em que estes passaram a
atacar os judeus.
O
primeiro importante score de Waxman em Hollywood é também um de
seus trabalhos mais cults e muito utilizado, sem creditação, nos
filmes-seriados de Flash Gordon: The Bride of Frankenstein (1935,
A Noiva de Frankenstein), trilha sonora que fez a convite de
James Whale, e que foi suficiente para torná-lo, através de contrato,
por dois anos o chefe do departamento musical da Universal. Ele
trabalhou, nesta ocasião, em mais de 50 filmes da Universal e entre os
mais conhecidos estão: Magnificent Obsession, Diamond Jim (ambos
em 1935) e The Invisible Ray (1936, O Homem Invisível).
Dois anos depois de ter chegado em Hollywood, logo após o final do
contrato com a Universal, então com 30 anos, assinou um novo contrato de
sete anos, desta vez com a Metro-Goldwin-Mayer para ser compositor e
maestro dos scores de seus principais filmes durante estes anos.
Só no primeiro ano ele fez sete filmes, e foi durante este período que
fez os seus famosos filmes de Spencer Tracy como: Capitain Courageous
(1937), Dr. Jekyll and Mr. Hide (1941, O Médico e o
Monstro) e Woman of the Year (1942). Seu formidável
repertório do ano de 1937 incluia também as loucuras e atrapalhadas
performances dos Irmãos Marx em Um Dia Nas Corridas. Ainda em
1937 ele foi chamado pela M-G-M para fazer The Young in Heart
(1938, Jovem no Coração) de David O. Selznick e foi indicado para
melhor música original e melhor score, as duas primeiras de uma
série de 12 indicações da academia para os 144 filmes que ele musicou em
seus 32 anos de carreira em Hollywood.
Em 1940 ele era novamente chamado por Selznick, desta vez para o filme
de Hitchcock, Rebecca (Rebecca, A Mulher Inesquecível) e
foi indicado pela terceira vez por este seu memorável trabalho. Waxman
deixou a M-G-M em 1943, após ter feito trabalhos excelentes como a
comédia romântica The Philadelphia Story (1940, Núpcias de
Escândalo), o suspense de Hitchcock, Suspicion (1941,
Suspeita) e a aventura, Air Force (1943, Águias Americanas) e
logo começou uma longa associação com a Warner Brothers. Old
Acquaintance (1943), Mr. Skeffington (1944) e Objetive
Burma! (1945) são deste período. Em 1947 Waxman fundou o Los Angeles
International Music Festival, pelo qual foi responsável por 20 anos.
Nestes Festivais foram apresentadas as “Premieres” para o Mundo e para a
América de 80 importantes trabalhos de compositores como Stravinsky,
Walton, Vaughan Williams, Shostakovitch e Schoenberg. Tornou-se então um
verdadeiro empresário da música erudita e, ao mesmo tempo, era chamado
pelos maiores estúdios de Hollywood para importantes produções e, ainda,
era convidado a conduzir orquestras sinfônicas na Europa bem como nos
EUA e compor músicas para concertos.
Para o filme Humoresque (1946), ele escreveu uma peça especial de
concerto baseada em temas de “Carmem” de Bizet que foi executada por
Isaac Stern na trilha sonora deste filme. A “Carmem Fantasie”, como
ficou conhecida, se tornou parte do repertório de orquestras sinfônicas
da época, e foi gravada por Jascha Heifetz para a RCA. Entre os
trabalhos para concertos de Waxman está a “Overture for Trumpet and
Orchestra”, baseado em temas de “The Horn Blows at Midnight”,
“Sinfonietta for String Orchestra and Timpani”, o dramático ciclo de
canções “The Song of Terezin” e um oratório de nome “Joshua”.
Waxman ganhou o prêmio da Academia em 1950 por Sunset Boulevard (O
Crepúsculo dos Deuses) de Billy Wilder, e em 1951 por A Place in
the Sun (Um Lugar ao Sol) de George Stevens. Ambas ganharam
inúmeras versões para concerto executadas por muitas orquestras ao longo
do tempo. Waxman é o único compositor da história de Hollywood, que
ganhou o Oscar de melhor score em dois anos sucessivos.
Foi
durante os anos 50 e 60 que ele compôs alguns de seus mais importantes e
variados scores, entre eles: Prince Valiant (1954, O
Principe Valente), Rear Widow (1954, Janela Indiscreta),
Demetrius and the Gladiators (1954, Demétrius e os Gladiadores),
Elephant Walk (1954, O Caminho dos Elefantes), e Taras
Bulba (1962). Em 1953 encheu a Academia de Artes Cinematográficas de
Hollywood de críticas por não ter sequer indicado ao Oscar, a trilha
sonora de Alfred Newman para The Robe (O Manto Sagrado), o
que fez com que Waxman fosse esquecido por um certo tempo pela Academia,
em especial entre 1954 (quando fez a trilha para a continuação de O
Manto Sagrado, Demétrius e os Gladiadores) e 1959 (quando
recebeu sua penúltima indicação para o Oscar pela trilha do filme com o
principal papel da carreira de Audrey Hepburn, Nun’s Story).
Waxman era usualmente associado a filmes românticos, mas depois ele
passou a ser relacionado a épicos e a scores jazzísticos. Crime in
the Streets (1956), The Spirit of St. Louis (1957, Águia
Solitária), Sayonara (1957), Peyton Place (1957, A
Caldeira do Diabo) e Nun’s Story (1959, A Cruz a Beira do
Abismo) são também deste período.
Franz
Waxman recebeu muitas honrarias durante seu tempo de vida, incluindo a
Cruz do Mérito da República Federativa da Alemanha Ocidental,
tornou-se membro honorário da Sociedade Mahler e da Sociedade
Internacional de Artes e Letras e um doutorado honorário de Letras e
Humanidade da Universidade de Columbia. Também são suas as famosas
trilhas sonoras dos filmes Cimarron e The Story of Ruth,
ambas de 1960. Sua última trilha sonora para o cinema foi para o filme
The Lost Command (1966) e em 1967, ainda chegou a compor a música
para o filme televisivo The Longest Hundred Miles. Ele morreu de
câncer em 24 de fevereiro de 1967, em Los Angeles com a idade de 60
anos. Segundo Michael Medved, a história de Franz Waxman, como a de
Korngold, ironicamente, ilustra a imensa, porém involuntária
contribuição que Adolph Hitler deu ao cinema americano. Depois de ter
sido maltratado pelos matadores nazistas em 1934, Waxman deixou uma
promissora carreira no cinema da Alemanha para colaborar com o cinema
Americano até o final de sua produtiva existência.
As 12 Indicações e Os 2 Oscars®
de Franz Waxman:
1. The Young in Heart (1938) -
Jovem no Coração (Melhor Música)
2. The Young in Heart (1938) - Jovem no Coração (Melhor
Trilha Sonora Original)
3. Rebecca (1940) - Rebecca, A Mulher Inesquecível
4. Dr. Jekyll and Mr. Hide (1941) - O Médico e o Monstro
5. Suspicion (1941) - Suspeita
6. Objetive Burma! (1945) - Um Punhado de Bravos
7. Humoresque (1946) - Acordes do Coração
8. Sunset Boulevard (1950) - O Crepúsculo dos Deuses -
1º Oscar
9. A Place in the Sun (1951) - Um Lugar ao Sol -
2º Oscar
10. The Silver Chalice (1954) - O Cálice Sagrado
11. The Nun’s Story (1959) - Uma Cruz à Beira do Abismo
12. Taras Bulba (1962) - Taras Bulba

Filmografia de Franz Waxman, cortesia de
Internet Movie Database |