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WORLD SOUNDTRACK AWARDS 2007 |
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por Tony Berchmans |
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O tradicional Festival de Cinema de Flanders (Bélgica), sempre deu grande importância à música dos filmes. Realizado em Ghent - uma bela cidade localizada a uma hora ao norte da capital Bruxelas – o festival já está em sua 34ª edição e há muitos anos premia os filmes também pelo uso criativo da trilha sonora, além de promover concertos e seminários sobre o tema. Com o passar dos anos, Ghent virou uma referência para compositores e fãs de música de cinema. No ano de 2000, o festival instituiu o World Soundtrack Awards, uma premiação anual especial para os compositores e suas trilhas sonoras, que vem ganhando mais respeito e reconhecimento ao longo dos últimos anos como uma espécie de Oscar da música de cinema. Apesar de praticamente desconhecido por aqui, o prêmio já foi concedido a compositores brasileiros. Em 2003 nossos conterrâneos Antonio Pinto e Ed Côrtes foram os vencedores do prêmio de revelação do ano pela trilha de Cidade de Deus. Este ano a organização do festival promoveu durante os três últimos dias do evento uma grandiosa celebração da música dos filmes, encerrada com chave de ouro pela noite da premiação do WSA – World Soundtrack Awards 2007 – em sua sétima edição. Na primeira noite de "film music mania", apresentou-se o Bajofondo Tango Club, banda de tango eletrônico do argentino Gustavo Santaolalla, vencedor do Oscar de melhor música original nos dois últimos anos – Brokeback Mountain, em 2006 e Babel, em 2007. O Bajofondo já é conhecido dos brasileiros, pois tocou no Rio e em São Paulo durante o Música em Cena - 1º Encontro Internacional de Música de Cinema, realizado em maio último. O show contou com o mesmo repertório apresentado no Brasil, e como sempre, a interessante mistura da música eletrônica com a tradição portenha do tango argentino fez o público delirar. O show termina – como já é costume em shows da banda – com o público dançando em cima do palco ao lado dos músicos, numa grande festa. Um seminário sobre música e sound design abriu as atividades do segundo dia. Na mesa estavam Annabelle Pangborn, compositora, sound designer e professora de edição de som da National Film and Television School de Londres, o compositor canadense Mychael Danna e seu conterrâneo e amigo, o sound designer Steve Munro. O tema do seminário foi a análise sobre a obra de composição musical e desenho de som dos filmes do cineasta Atom Egoyan, grande parceiro de Mychael Danna e Steve Munro. Raramente na indústria do cinema o compositor e o sound designer têm a chance de trabalhar em conjunto. No caso da maioria dos filmes de Egoyan, a dupla Danna e Munro puderam criar juntos, o que certamente garantiu um resultado sonoro mais harmônico aos filmes. A professora Annabelle fez uma complexa análise sobre a relação entre som e significado imagético do filme Exotica, obra de 1994 do diretor egípcio. Apresentando vários trechos selecionados do filme, a professora ia descrevendo minuciosamente como as técnicas de composição e a utilização criativa dos efeitos sonoros influenciam o sentido de cada uma das cenas, dentro do contexto e da narrativa fílmica. Em seguida, Mychael Danna e Steve Munro contaram sua experiência e descreveram detalhadamente seus processos criativos, apresentando trechos também de outras obras de Atom Egoyan. O primeiro concerto sinfônico do evento foi interpretado pela Flemish Radio Orchestra, sob regência do eficiente maestro belga Dirk Brossé. O tema do concerto – acompanhado por um telão que apresentava trechos dos filmes e imagens da orquestra ao vivo - foi a música do compositor espanhol Alberto Iglesias, presente na platéia. Iglesias é bastante conhecido por sua parceria com o diretor Pedro Almodóvar, para quem compôs várias trilhas. Ano passado, o compositor ganhou dois prêmios no World SoundTrack Awards: o de compositor do ano e prêmio de melhor trilha sonora do ano com o filme O Jardineiro Fiel, do diretor brasileiro Fernando Meirelles. Além de belas suítes dos filmes Má Educação, Tudo Sobre Minha Mãe e Volver, a primeira peça apresentada foi uma inusitada obra para passos e orquestra intitulada "Orfeo en Palermo" , onde a orquestra foi acompanhada por um percussionista. Seu instrumento é um pequeno stage foley, uma plataforma no palco com alguns tipos de piso (areia e pedras) para que ele pudesse interpretar os passos. No mínimo muito interessante. Na minha opinião, um dos pontos altos do concerto foi um trecho de Fale com Ela. Neste filme, há um "filme dentro do filme" no estilo do cinema mudo, construído na imaginação de um dos protagonistas. A orquestra interpretou este trecho da trilha com brilhante sincronismo, acompanhando as cenas no telão. Outro ponto de destaque foi a bela suíte do ainda inédito O Caçador de Pipas, apresentada em primeira-mão neste concerto. O grande encerramento do festival foi a noite da premiação do World Soundtrack Awards 2007, que contou também com a Flemish Radio Orchestra sob a batuta do maestro Dirk Brossé, que abriu a noite com uma vinheta de abertura composta por ninguém menos do que Elmer Bernstein. A cerimônia concedeu os seguintes prêmios:
Compositor do Ano:
Alexandre Desplat (A Rainha
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The Queen,
O Despertar de Uma Paixão -
The Painted Veil) Quase todos os compositores acima estavam presentes para receber seus troféus. Apenas não puderam comparecer o francês Alexandre Desplat e o veterano compositor grego Mikis Theodorakis, este por problemas de saúde. Mas ambos gravaram vídeos com seus breves discursos de agradecimento. Vários nomes importantes estavam na platéia. Destaque especial para a lendário compositor francês Maurice Jarre, que subiu ao palco para entregar o prêmio de trilha do ano para Clint Mansell, e aproveitou para receber o troféu de compositor do ano em nome do ausente Alexandre Desplat. Durante a premiação, se apresentaram a compositora grega Evanthia Reboutsika na rabeca, e o iraquiano Osama Abdulrasol no qanum, um tipo de cítara. Evanthia ganhou o prêmio de revelação do ano em 2006 pela trilha de My Father and My Son, filme inédito no Brasil. Está se tornando uma tradição o compositor que ganhou como revelação do ano voltar no ano seguinte, para se apresentar na premiação. A segunda parte da noite ficou a cargo dos compositores Harry Gregson-Williams e Mychael Danna, que apresentaram vários trechos de suas obras. Harry regeu uma suíte de Shrek, um excerto de Seraphim Falls (À Procura da Vingança), Gone Baby Gone (Medo da Verdade - o primeiro filme do astro Ben Affleck) e uma suíte de As Crônicas de Nárnia. Danna não regeu, mas estava presente e apresentou suítes dos filmes Casamento à Indiana, Pequena Miss Sunshine, Tempestade de Gelo e Adorável Julia. Nesta parte do concerto subiram ao palco solistas de um grupo de Gamelán da Holanda, que fizeram uma participação muito especial, dando um toque exótico às peculiares composições de Danna. Com seu pioneirismo e organização impecável, o Festival de Ghent, ao longo dos últimos anos, se tornou uma referência de valorização dessa tão fascinante arte da composição musical para cinema, atraindo participantes do mundo inteiro. Nas palavras dos realizadores, são três dias de "film music mania". Três dias que provam a importância da música dentro do universo cinematográfico. Vida longa aos festivais que celebram a música de cinema! |
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